Os ataques de macaco-prego têm causado medo e insegurança entre moradores da comunidade Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo relatos, o animal circula pela região há pelo menos 15 dias, invadindo casas, tentando entrar por janelas e apresentando comportamento considerado agressivo.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram o macaco-prego caminhando por becos, lajes e telhados, principalmente durante a madrugada e no início da manhã. Moradores afirmam que passaram a manter portas e janelas fechadas mesmo em dias de calor, para evitar encontros inesperados.
O guia local Thiago Firmino explicou que a presença de macacos na região não é incomum, por se tratar de uma área próxima à mata, mas destacou que o comportamento do animal chama atenção. “Normalmente eles aparecem em grupo, pegam comida e voltam para a mata. Esse macaco fica sozinho, entra nas casas, abre janelas, armários e até geladeira. É um animal adulto, aparentemente estressado e com fome”, relatou.
Famílias com crianças pequenas dizem viver em constante estado de alerta. A moradora Álissa Paulino, mãe de duas crianças de 1 e 3 anos, contou que o animal já entrou em sua casa mais de uma vez. “Tenho crianças pequenas e vivo com medo. Não consigo abrir a casa. É como viver em um cárcere”, afirmou.
O caso mais grave ocorreu no dia 18 de janeiro, quando a monitora de van escolar Rosangela Carmo foi mordida ao tentar afastar o macaco. “Ele me mordeu de raspão. Não foi profundo, mas fiquei muito assustada”, disse. Ela procurou atendimento médico e iniciou o protocolo de vacinação e aplicação de soro antirrábico, conforme orientação médica.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que o macaco-prego é um animal silvestre em vida livre e que a comunidade está localizada na zona de amortecimento do Parque Nacional da Tijuca, onde a circulação desses animais é considerada comum. Segundo os órgãos ambientais, não há indicação técnica para resgate imediato quando o animal está solto em área aberta.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima explicou que o comportamento pode estar relacionado à oferta de alimento em algum momento, o que condiciona o animal a se aproximar de pessoas. A orientação é que moradores não alimentem, não toquem e não tentem capturar animais silvestres.
Apesar das explicações técnicas, moradores afirmam que o medo permanece. Eles dizem não querer que o animal seja ferido, mas pedem acompanhamento das autoridades para evitar novos incidentes. “Do jeito que está, alguém pode acabar se machucando. A gente quer segurança para os moradores e também para o animal”, afirmou Thiago Firmino.














