O filhote de gavião-carrapateiro foi encontrado ferido às margens da rodovia BR-101, nas proximidades da Marina Farol, no município de Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro. O resgate foi realizado por uma equipe da Reserva Ecológica Estadual da Juatinga após acionamento feito por moradores da região.
Segundo informações do Instituto Estadual do Ambiente, a ave apresentava comportamento ativo, alerta e vocalizava com frequência, sinais considerados compatíveis com bom estado geral de saúde. No entanto, durante a avaliação inicial, os técnicos constataram que o animal estava impossibilitado de voar.
A equipe identificou que as rêmiges — penas localizadas nas asas e fundamentais para o voo — haviam sido completamente cortadas, o que impedia qualquer tentativa de deslocamento aéreo. A situação colocou o filhote em risco, principalmente por estar em área próxima à rodovia.
Após o resgate, o gavião foi encaminhado a um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, onde passará por avaliação veterinária e acompanhamento especializado. A expectativa dos técnicos é que, com o crescimento natural das penas, o animal possa ser reintroduzido à natureza em até 12 meses.
O secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, destacou a importância da espécie para o equilíbrio ambiental. “Ao resgatar um animal como o gavião-carrapateiro, conhecido pelo hábito de se alimentar de parasitas de bovinos, estamos preservando a cadeia alimentar e contribuindo para a saúde dos ecossistemas”, afirmou.
O gavião-carrapateiro é comum em áreas rurais, especialmente em fazendas de gado, onde se alimenta de parasitas de bovinos e equinos. Em regiões costeiras, sua dieta pode incluir peixes. A espécie costuma viver de forma isolada e não é facilmente observada em bandos.
A Reserva Ecológica Estadual da Juatinga, responsável pelo resgate, foi criada em 1992 e possui quase 10 mil hectares de áreas preservadas, incluindo Mata Atlântica, restingas, manguezais e costões rochosos. A unidade abriga comunidades tradicionais e integra a Área de Proteção Ambiental do Cairuçu, sob gestão do ICMBio.
O caso reforça o alerta sobre a importância de não interferir em animais silvestres e de acionar os órgãos ambientais sempre que houver risco à fauna.














