Assassinato de Esmeralda FG expõe relação entre luxo e narcotráfico

Esmeralda FG

O assassinato de Esmeralda FG chocou o México e repercutiu internacionalmente. A influenciadora de 32 anos foi encontrada morta dentro de uma picape, ao lado do marido, Roberto Carlos Gil Licea, e dos filhos Gael Santiago, de 13 anos, e Regina, de 7. A família foi executada a tiros em Guadalajara, região marcada pelo avanço da violência ligada ao narcotráfico.

De acordo com autoridades de Jalisco, Roberto Carlos trabalhava no setor de compra e venda de veículos e cultivo de tomate em Michoacán, mas havia suspeitas de que essas atividades funcionassem como fachada para a lavagem de dinheiro. Essa ligação é apontada como principal linha de investigação do crime.

Esmeralda, cujo nome verdadeiro era Esmeralda Ferrer Garibay, conquistou popularidade no TikTok com o perfil @esmeraldafg222 desde 2020. Inicialmente, produzia vídeos de dublagem, mas logo passou a exibir uma rotina de luxo. Bolsas e roupas de grifes internacionais como Gucci, Dior, Louis Vuitton, Dolce & Gabbana e Versace faziam parte de suas postagens, além do estilo conhecido no México como “mujer buchona” — associado à ostentação e ao mundo do narcotráfico.

A influenciadora também compartilhava viagens, momentos com os filhos e até frases motivacionais, mas foi criticada por publicações polêmicas em que exaltava vantagens de ter um parceiro ligado ao crime. Muitas de suas postagens eram embaladas por narcocorridos, canções que exaltam a figura de traficantes e cartéis.

Apesar do estilo de vida exibido online, a Procuradoria-Geral de Jalisco reforçou que as atividades digitais de Esmeralda não estão entre os principais motivos do assassinato. O foco da investigação segue sobre os negócios de seu marido, possivelmente relacionados a grupos criminosos. O crime ocorreu no dia 22 de agosto, mas só foi confirmado publicamente dias depois, para não comprometer as apurações.

A morte de Esmeralda e de sua família gerou grande repercussão nas redes sociais. Muitos usuários lamentaram a tragédia, mas outros criticaram as escolhas de vida da influenciadora. Prefiro tortilhas com sal e transporte público, mas vivo com minha família, porque a vida dos meus filhos não tem preço, escreveu um internauta. Outro comentou: Por que você condenou seus filhos? Uma vida normal não valia mais? (em depoimentos publicados nas redes sociais).

O caso reforça a relação cada vez mais visível entre a ostentação do luxo nas redes sociais e os riscos ligados ao narcotráfico no México, onde o conflito entre cartéis impacta tanto a segurança pública quanto a vida cotidiana.

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