Luis Fernando Verissimo morre aos 88 anos, em Porto Alegre, neste sábado (30). O escritor estava internado no Hospital Moinhos de Vento desde o início do mês, em tratamento contra uma pneumonia. Considerado um dos maiores cronistas do país, Verissimo deixa a esposa, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos.
O autor já enfrentava complicações de saúde nos últimos anos. Em 2021, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e, em 2022, recebeu um marcapasso. Também convivia com problemas cardíacos e com o mal de Parkinson, mas seguiu ativo e admirado até o fim da vida.
Ao longo de sua trajetória, Luis Fernando Verissimo transitou por diversas áreas da cultura e da comunicação: foi tradutor, cartunista, publicitário, roteirista, revisor, dramaturgo e romancista. Seu humor afiado, aliado à crítica social, tornou-o referência na literatura brasileira. Entre seus mais de 80 livros publicados, destacam-se “As Mentiras que os Homens Contam”, “O Analista de Bagé”, “Ed Mort e Outras Histórias” e “A Grande Mulher Nua”.
Nascido em Porto Alegre, era filho de Érico Verissimo, outro gigante da literatura nacional. Herdou do pai o talento para a escrita, mas construiu um estilo próprio, marcado pela ironia e pela clareza. Suas crônicas, publicadas em jornais e revistas de circulação nacional, alcançaram diferentes gerações, tornando-o um dos escritores mais lidos e reconhecidos do Brasil.
Apesar do riso que provocava em milhões de leitores, Verissimo sempre se declarou tímido e discreto. Costumava dizer que fazia humor, mas não era humorista: “O humorista é o cara que tem uma visão humorística das coisas. O humor é sua maneira de ver e de ser”, explicou em uma de suas entrevistas.
Durante o período da ditadura militar, encontrou nas crônicas e nos cartuns uma forma de driblar a censura. Revelou que mantinha sempre um texto “na gaveta”, pronto para ser publicado quando outro fosse barrado. Essa estratégia garantiu que seu olhar crítico continuasse chegando ao público, mesmo em tempos de repressão.
Sua paixão pelo Internacional também foi uma marca pessoal. O clube gaúcho aparecia com frequência em seus textos e conversas, sempre tratado com lirismo e ironia. Para Verissimo, torcer pelo Colorado era parte de sua identidade e uma forma de se conectar com a cultura de sua cidade natal.
Em 2024, pouco antes de completar 80 anos, teve sua vida registrada no documentário Verissimo, exibido pelo streaming Mubi. O longa mostrou o cotidiano do escritor, sua rotina simples e sua relação íntima com a literatura e a música, já que também era saxofonista amador.
Luis Fernando Verissimo deixa um legado inestimável para a literatura brasileira. Sua escrita breve, mas precisa, continuará inspirando leitores, escritores e cronistas, consolidando seu lugar como um dos maiores nomes das letras nacionais.














