Árbitra brasileira Edina Alves sofre ataques machistas de técnico e dirigente no Equador

Árbitra brasileira Edina Alves

A árbitra brasileira Edina Alves foi alvo de comentários machistas feitos pelo técnico e pelo dirigente do Mushuc Runa (EQU) após apitar o duelo contra o Independiente Del Valle, válido pela Copa Sul-Americana, na última terça-feira (19). A polêmica começou após o tempo de acréscimo dado pela árbitra, que gerou revolta nos equatorianos.

O jogo terminou empatado no placar agregado e a disputa foi para os pênaltis. O Mushuc Runa, que havia vencido por 2 a 0 no tempo normal, sofreu um gol aos 55 minutos do segundo tempo e acabou eliminado ao perder por 4 a 2 nas penalidades.

Na coletiva, o técnico Paúl Vélez fez declarações discriminatórias ao questionar a presença de Edina na partida. Colocaram para apitar, e digo com respeito, o sexo oposto. Não é que eu esteja contra as mulheres, mas para os torneios internacionais não estou de acordo. Para isso há o futebol de mulheres, afirmou o treinador.

Em seguida, o diretor Renato Salas reforçou as críticas e também questionou a escolha da árbitra. Uma árbitra, por melhor que seja, não vê o mesmo que um árbitro homem. Por isso existe o futebol feminino, porque as árbitras vão sentir o que elas sentem em um campo de jogo. Não é discriminação, mas uma mulher não sente o mesmo que um homem. Como vão dar a uma mulher uma partida masculina (para apitar)?, disse.

Após a repercussão negativa, Salas voltou atrás e pediu desculpas públicas a Edina Alves, alegando que seus comentários foram mal interpretados. Quero aproveitar para estender um pedido público de desculpas se, em algum momento, meus comentários sobre a arbitragem foram mal interpretados. Esclareço que qualquer erro mencionado poderia ter sido cometido tanto por homens quanto por mulheres, afirmou em entrevista à Rádio La Red. Ele ainda prometeu conversar com o técnico Paúl Vélez sobre o ocorrido.

O episódio gerou repercussão entre torcedores e entidades que defendem a presença feminina no esporte, reacendendo o debate sobre a resistência das mulheres em cargos de liderança e destaque no futebol masculino.

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