A Polícia Federal encontrou novas evidências que revelam Bolsonaro avaliando asilo político na Argentina em meio às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. Mensagens apagadas e depois recuperadas em dispositivos apreendidos indicam que o ex-presidente cogitou pedir abrigo ao presidente argentino Javier Milei, aliado político de longa data.
As conversas, anexadas a um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), envolvem Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o pastor Silas Malafaia. O documento levou ao indiciamento do ex-presidente e de seu filho por obstrução de Justiça. Malafaia, também citado nas mensagens, foi alvo de mandado de busca e apreensão, teve o passaporte suspenso e foi conduzido para depoimento após desembarcar no Aeroporto do Galeão, vindo de Lisboa, nesta quarta-feira (20).
De acordo com a PF, os conteúdos recuperados apontam que os aliados buscavam intimidar autoridades e retardar o avanço das investigações sobre atentados à democracia. Além da possibilidade de apoio argentino, há indícios de tentativas de articulações externas, inclusive junto ao governo dos Estados Unidos, para dificultar a atuação do STF.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) já vinha monitorando desde maio essas movimentações. As novas descobertas reforçam operações anteriores, como a Contragolpe — que indiciou Bolsonaro e outros aliados por tentativa de golpe — e a Tempus Veritatis, que apurou reuniões voltadas à derrubada do Estado democrático.














