Acusadas pelo caso brigadeirão permanecem em silêncio durante audiência no Rio

Caso "Brigadeirão"

As duas mulheres acusadas pela morte do empresário Luiz Marcelo Ormond, em 2024, permaneceram em silêncio durante a audiência de instrução e julgamento realizada nesta segunda-feira (15), na 4ª Vara Criminal da Capital. Segundo a denúncia do Ministério Público, a vítima teria sido envenenada após consumir um brigadeirão preparado por sua namorada, Júlia Cathermol, a mando da cigana Suyany Breschak. Presas desde o ano passado, ambas respondem por homicídio triplamente qualificado.

A sessão foi conduzida pela juíza Lúcia Mothe Glioche e contou com os depoimentos de dois peritos da Polícia Civil: Luís Henrique de Almeida Zanini e Leonardo Rabello Carneiro de Mesquita. Ao final, os advogados das rés desistiram de ouvir as demais testemunhas previstas.

Com o encerramento da audiência, o processo entra na fase de conclusão das diligências solicitadas, que serão anexadas aos autos. Em seguida, será aberto prazo para as manifestações do Ministério Público e das defesas das acusadas.

Audiências anteriores mostraram a complexidade do caso. Em junho, prestaram depoimento amigos da vítima, um perito da Polícia Civil e um ex-namorado de Júlia. A mãe e o padrasto da psicóloga estiveram presentes, mas não se pronunciaram. Já em maio, outras nove testemunhas haviam sido ouvidas. Em abril, a primeira audiência precisou ser suspensa, pois as acusadas chegaram com atraso ao Tribunal de Justiça, segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

As investigações da Polícia Civil apontam que Luiz Marcelo foi morto por envenenamento, após ingerir um brigadeirão que continha 50 comprimidos de Dimorf de 30 mg, um medicamento controlado. Imagens de câmeras de segurança do prédio no Engenho Novo, Zona Norte do Rio, mostraram o empresário já debilitado ao conversar com a namorada no dia 17 de maio de 2024. Laudos do Instituto Médico Legal (IML) confirmaram a presença de morfina e outras substâncias em seu corpo.

O crime teria sido motivado por dívidas financeiras de Júlia com Suyany, que chegariam a R$ 600 mil em trabalhos espirituais. A cigana, apontada como mandante, foi beneficiária dos bens do empresário, incluindo o carro, encontrado em Cabo Frio após ter sido vendido por R$ 75 mil. O comprador do veículo foi preso por receptação, em posse também do celular e do computador da vítima.

Júlia, detida desde junho de 2024, responde não só pelo homicídio triplamente qualificado, mas também por estelionato, associação criminosa, falsidade ideológica, fraude processual e uso de documento falso. Ela também foi indiciada por se apropriar dos bens da vítima e pela venda irregular de armas.

Suyany, presa em maio de 2024, responde pelos mesmos crimes, exceto falsidade ideológica e uso de documentos falsos. Considerada pela polícia a principal articuladora do assassinato, ela teria instruído a psicóloga sobre como ministrar o veneno e a forma de adquirir os comprimidos usados no doce que deu nome ao caso.

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