Greve de motoristas de ônibus no Rio chega ao fim após acordo sindical

greve de motoristas de ônibus no Rio

A greve de motoristas de ônibus no Rio terminou no início da tarde desta terça-feira (16) após negociação entre representantes das empresas Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel e o Sindicato dos Rodoviários. Os trabalhadores cobravam o pagamento de férias e vales-alimentação, além de depósitos do FGTS. O acordo garantiu o pagamento imediato dos dois primeiros benefícios, enquanto o FGTS será quitado em duas parcelas, a partir de sábado, segundo informou o vice-presidente do sindicato, José Carlos Sacramento.

A paralisação afetou cerca de 20 linhas que ligam a Zona Norte e o Centro à Zona Sul e à Zona Sudoeste da cidade, incluindo Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. Pela manhã, os terminais Gentileza, ao lado da Rodoviária, e Procópio Ferreira, próximo à Central do Brasil, registraram filas de passageiros enquanto os coletivos permaneciam estacionados e com as portas fechadas.

As duas empresas de ônibus, que passam por processo de recuperação judicial, unificaram suas operações recentemente. Desde o fim de agosto, veículos da Real passaram a ser guardados na garagem da Vila Isabel, na Rua Viana Drumond. As companhias também já dividiam linhas como a 163 (Terminal Gentileza–Copacabana) e a 222 (Vila Isabel–Gamboa).

Durante a manhã, o prefeito Eduardo Paes criticou duramente a paralisação em vídeo publicado nas redes sociais. Ele classificou o movimento como “picaretagem” e “palhaçada”, destacando que os subsídios da prefeitura estão sendo repassados em dia. Paes ressaltou que o valor destinado ao sistema saltou de R$ 2,55 para R$ 4,08 por quilômetro rodado desde 2022, totalizando R$ 2,8 bilhões de repasses aos consórcios de ônibus.

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), as empresas que não cumprem a quilometragem mínima exigida não recebem os repasses. O prazo de concessão, antes previsto até 2030, foi reduzido para 2028, com previsão de nova licitação para a Zona Oeste ainda neste ano.

Em resposta às declarações do prefeito, o RioÔnibus afirmou que os subsídios recebidos possibilitaram a compra de 2.800 novos veículos, a retomada de mais de 160 linhas e a contratação de 1.600 rodoviários. No entanto, alegou dificuldades após cortes recentes na quantidade de viagens e no valor do subsídio. O porta-voz da entidade, Paulo Valente, disse que a prefeitura tem utilizado sensores de ar-condicionado e mudanças na programação de linhas como critérios de penalização que inviabilizam parte da operação.

Real Auto e Vila Isabel operam linhas estratégicas que ligam diferentes regiões do Rio, incluindo trajetos que passam por Ipanema, Copacabana, Leblon, Gávea, São Conrado, Barra e Recreio. O Terminal Gentileza, um dos mais movimentados da cidade, concentra seis dessas linhas. Com o acordo, a previsão é de normalização da circulação ainda hoje.

Limpatech