A Viúva de Leandro Silva protagonizou cenas de forte emoção durante o velório do auxiliar de cozinha, realizado nesta sexta-feira (20), no Cemitério do Catumbi, na Região Central do Rio. A despedida foi marcada por desespero, comoção e pedidos por justiça.
Leandro Silva Souza, de 30 anos, morreu baleado dentro de casa no Morro dos Prazeres, em meio a uma operação policial. Durante a cerimônia, a esposa, Roberta Hipólito, permaneceu ao lado do caixão e chegou a desmaiar enquanto se despedia do marido.
Aos prantos, ela repetia frases de dor e incredulidade diante da perda. “Acorda, meu amor. Vamos para casa”, disse durante o velório, sendo amparada por familiares e amigos.
O corpo de Leandro será levado para o Piauí, sua cidade natal, onde será sepultado ainda nesta sexta-feira.
A versão do que aconteceu durante a operação, no entanto, é motivo de divergência. Roberta afirma que policiais militares invadiram a residência já atirando, sem que houvesse confronto. Segundo ela, criminosos que estavam no local não reagiram.
“Em momento algum fizeram a gente de refém. Eles disseram: ‘Tia, não se preocupe’. Foi a polícia que arrebentou a porta da minha casa com uma granada e já entrou atirando. Não teve troca de tiros”, declarou.
Já a Polícia Militar sustenta outra versão. De acordo com a corporação, criminosos armados fizeram o casal refém dentro da residência e abriram fogo contra os agentes durante uma tentativa de negociação, o que teria provocado a reação da equipe.
Segundo o comando da operação, Leandro acabou sendo atingido durante o confronto. Na ação, o apontado chefe do tráfico da região, conhecido como “Jiló”, e outros seis suspeitos também morreram.
A viúva deverá prestar novo depoimento à Delegacia de Homicídios nos próximos dias. De acordo com o advogado da família, a intenção é buscar responsabilização caso fique comprovada falha ou abuso por parte do Estado.
A Polícia Militar informou que abriu procedimento interno para apurar as circunstâncias da operação e afirmou que colabora com as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
O caso segue cercado de questionamentos e amplia o debate sobre operações em áreas residenciais e seus impactos sobre moradores.
A repercussão do velório e o relato da viúva devem manter o caso no centro das atenções nos próximos dias.














