Violência no Rio: mortes de policiais em janeiro têm alta de 24% em relação a 2025

Mortes de policiais no Rio já superam a média registrada em janeiro de 2025, revelando um cenário preocupante de violência na Região Metropolitana. Em apenas três semanas deste ano, cinco agentes das forças de segurança morreram após serem atingidos por disparos de arma de fogo, o que representa um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado.

O dado chama atenção não apenas pelo crescimento, mas também pelo contexto das ocorrências. Diferentemente de 2025, quando grande parte das mortes ocorreu durante operações policiais, todas as vítimas registradas em janeiro deste ano estavam fora de serviço, segundo levantamento da Agenda do Poder. O cenário indica que policiais têm sido mortos ao reagirem a assaltos ou por serem identificados como agentes de segurança.

Em dois casos, os policiais morreram ao tentar reagir a abordagens criminosas. Em outra ocorrência, a principal hipótese é de execução premeditada, após o agente ter sua identidade reconhecida. Um dos episódios segue sob investigação, e houve ainda um caso de morte acidental, quando a arma de um policial disparou após ele cair de motocicleta. As vítimas tinham entre 37 e 41 anos.

Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado, avalia que o cenário reflete a normalização da violência armada no cotidiano do estado. “O alto índice de agentes baleados mostra um cenário de violência urbana”, analisa.

O cientista social Robson Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, aponta que o enfrentamento ao crime organizado é central para a reversão desse quadro. “No Rio, há uma disputa eterna entre facções criminosas por controle territorial”, avalia.

Já o antropólogo e ex-capitão do Bope, Paulo Storani, relaciona o aumento da letalidade à redução do efetivo policial. “Com isso, o crime se fortalece, usando a estratégia do medo como forma de controle”, afirma.

Assassinato solucionado: como estão as investigações dos casos

A Polícia Civil esclareceu o assassinato do policial civil Paulo Vitor Silva Heitor, de 40 anos, morto na madrugada de 11 de janeiro após reagir a um assalto na Rua Visconde de Itamarati, no Maracanã, Zona Norte do Rio.

Um dos suspeitos foi morto a tiros nesta sexta-feira (23), durante uma operação da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital, mesma unidade onde Paulo Vitor atuava. Segundo a corporação, o homem reagiu à abordagem em Senador Camará, na Zona Oeste.

Os outros dois suspeitos já haviam sido presos em ações anteriores, uma conduzida pela Delegacia de Homicídios da Capital e outra pela Polícia Militar. A identificação dos envolvidos foi possível com o auxílio de imagens de câmeras de segurança que registraram o crime.

Paulo Vitor voltava de um bar acompanhado da esposa quando foi abordado por criminosos em uma motocicleta. Ele foi atingido no tórax e no joelho e morreu no local. A esposa sofreu um ferimento leve em um dos dedos.

Após o crime, o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, afirmou que a corporação daria uma resposta imediata. “Triste demais com a morte do comissário”, declarou, prometendo atuação firme contra os responsáveis.

A cronologia das mortes de policiais em 2026

11 de janeiro – O policial civil Paulo Vitor Silva Heitor, de 40 anos, morreu após reagir a um assalto no Maracanã. Ingressou na corporação em 2016 e recebeu cinco promoções por bravura.

16 de janeiro – O 3º sargento da PM Bruno Dantas de Souza, de 37 anos, foi morto a tiros ao reagir a uma tentativa de assalto em Parada de Morabi, em Duque de Caxias. Os criminosos fugiram levando sua moto e sua arma.

18 de janeiro – O PM Elder Carlos Costa Carvalho, de 41 anos, foi baleado na cabeça em São Gonçalo e morreu após três dias internado. Ele atuava no 3º BPM, no Méier.

21 de janeiro – O PM Charles Alves Maria, de 41 anos, morreu após cair da moto em Japeri, quando sua arma disparou acidentalmente, atingindo a veia femoral.

No mesmo dia, Marcelo Couto Sansão, de 40 anos, foi morto a tiros em Imbariê, Duque de Caxias, enquanto estava parado em uma motocicleta. A ação foi registrada por câmeras de segurança.

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