A tarifa de 50% a produtos do Brasil, imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a valer nesta quarta-feira (6). A medida amplia em 40% a alíquota já existente de 10% sobre diversas exportações brasileiras, afetando diretamente setores importantes da economia nacional. Com isso, o governo brasileiro estima que 36% das exportações para os EUA — equivalentes a cerca de US$ 14,5 bilhões — serão impactadas.
Apesar de haver uma lista de aproximadamente 700 produtos isentos, como celulose, petróleo, suco de laranja e minérios, itens como carne, café e algumas aeronaves foram incluídos na sobretaxa. A Embraer, no entanto, conseguiu negociar redução em parte das tarifas. Entre os segmentos mais afetados estão combustíveis (US$ 8,5 bilhões exportados em 2024), aeronaves (US$ 2 bilhões) e ferro e aço (US$ 1,8 bilhão).
Segundo a Fecomércio RJ, com as isenções parciais, a média efetiva da tarifa caiu de 50% para algo em torno de 30%. Ainda assim, o impacto nas exportações brasileiras pode ultrapassar os US$ 20 bilhões, reduzindo significativamente o fluxo comercial com os EUA.
Em nota, a Fecomércio reforçou a necessidade de fortalecer o mercado interno e apostar em programas como o Made in Rio para mitigar os efeitos: “O momento é estratégico para reforçar a agenda exportadora com inteligência comercial, previsibilidade e confiabilidade institucional.”
Trump justificou o tarifaço por meio de uma ordem executiva alegando “emergência nacional” em razão de políticas do governo brasileiro que, segundo ele, afetam empresas americanas, a liberdade de expressão e os interesses estratégicos dos EUA. O presidente norte-americano também acusou o Brasil de perseguir politicamente Jair Bolsonaro e citou o ministro Alexandre de Moraes como um dos alvos de sanções pela Lei Magnitsky — que bloqueia bens, contas e acesso ao território americano.
Além de Moraes, outros ministros do STF, como Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, também tiveram seus vistos revogados.
O presidente Lula respondeu afirmando que não fará contato com Trump para negociar as tarifas: “Não vou ligar para o Trump para negociar nada, porque ele não quer.” Ainda assim, mencionou que pretende convidá-lo para a COP em Belém: “Quero saber o que é que ele pensa da questão climática.”
Lula lamentou o fato de o anúncio das tarifas ter sido feito por carta nas redes sociais, sem diálogo prévio com o Brasil: “O presidente americano não tinha direito de anunciar taxações como anunciou ao Brasil.”
O governo brasileiro afirma ter um plano de contingência pronto, que ainda não foi apresentado oficialmente. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que o impacto fiscal imediato é limitado, mas alertou para possíveis efeitos a médio prazo. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, adiantou que as medidas de apoio aos setores afetados serão detalhadas ainda nesta semana.
Entre as soluções em análise estão novas linhas de crédito, reformulação de programas de exportação e o uso de compras públicas para absorver parte da produção. O vice-presidente Geraldo Alckmin tem liderado o diálogo com setores impactados, inclusive com representantes da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, que buscam alternativas diante da queda da demanda externa.
O tarifaço imposto ao Brasil é apenas o início de uma série de aumentos tarifários aplicados por Trump. Outros países latino-americanos, como Costa Rica, Bolívia e Venezuela, também enfrentam novas sobretaxas a partir desta semana. O México tenta negociar exceções, mas já sofre tarifas adicionais de até 25% fora do escopo do T-MEC.














