Tarifa do metrô do Rio pode chegar a R$ 8,20 e ampliar diferença para outras capitais

Metrô do Rio de Janeiro

A tarifa do metrô do Rio pode chegar a R$ 8,20 a partir de abril de 2026, caso seja confirmado o reajuste anual previsto no contrato de concessão. Com a divulgação do IPCA acumulado de 2025 pelo IBGE, o índice de correção permitiria um aumento de até 4,26% sobre a tarifa atual de R$ 7,90. Pelo cálculo cheio, o valor chegaria a R$ 8,24, mas a tendência é de arredondamento para R$ 8,20.

O reajuste ainda não é automático. A concessionária MetrôRio deverá encaminhar um estudo técnico ao governo estadual em fevereiro. Para que o novo valor entre em vigor, será necessário o aval da Agetransp e da Câmara de Política Econômica do estado.

Se confirmada, a nova tarifa manterá o metrô do Rio como o mais caro do país entre as capitais com sistema metroviário. Atualmente, os valores cobrados em outras cidades são significativamente menores: Belo Horizonte cobra R$ 5,80; Brasília, R$ 5,50, com gratuidade aos domingos e feriados; São Paulo, R$ 5,40; Recife, R$ 4,25; Salvador, R$ 4,10; e Fortaleza, R$ 3,60 na Linha Sul.

Para o diretor da FGV Transportes, Marcus Quintella, o problema vai além do reajuste anual. Segundo ele, o Rio carece de uma política de subsídio público mais ampla para tornar a tarifa compatível com o poder de compra da população. Realmente, vem elevando muito a tarifa pública. O Rio de Janeiro não tem a figura do subsídio público, que é fundamental para tornar a tarifa compatível com o poder de compra da população, afirmou o especialista.

Atualmente, o estado adota apenas a tarifa social voltada a pessoas de baixa renda, sem um subsídio universal. Nos últimos meses, a possibilidade de ampliação desses subsídios tem sido questionada ao governador Cláudio Castro, mas não houve avanços. Uma proposta anterior, chamada Tarifa RJ, que buscava unificar valores de metrô, trens e barcas ao patamar das passagens municipais, acabou arquivada por limitações fiscais.

O possível aumento também preocupa a concessionária. O MetrôRio tem alertado o governo para a queda no número de passageiros, atribuída ao preço elevado. Avaliações internas indicam que reajustes sucessivos tendem a reduzir a demanda nos meses seguintes, afetando o equilíbrio entre custos e receitas do sistema, mesmo com expectativa de estabilidade no total de usuários em 2025.

Procurado, o MetrôRio informou que o valor final ainda não está definido e que o cálculo do reajuste será apresentado à agência reguladora até 12 de fevereiro. A Secretaria Estadual de Transportes também foi acionada, mas não havia se manifestado até a publicação.

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