Talita Galhardo questiona conta do Bolsa Família e do Pacto Federativo

Vereadora Talita Galhardo

Candidata a deputada federal usa cidade do Amapá – que possui 93% da população em famílias beneficiárias e apenas 29 empregos formais – para criticar distribuição de recursos

Candidata a deputada federal pelo Rio, a vereadora Talita Galhardo (PSDB) usou as redes sociais para questionar a relação entre o número de beneficiários do Bolsa Família, a geração de empregos formais e a distribuição dos recursos arrecadados entre os estados. Como exemplo, a parlamentar apresentou dados de Itaubal do Piririm, no Amapá, onde cerca de 93% da população está inserida em famílias atendidas pelo programa social e apenas 29 pessoas possuem emprego formal.

“Essa conta tem como fechar?”, questionou Talita ao comparar os números.

Segundo os dados apresentados pela vereadora, 5.640 moradores de Itaubal pertencem a famílias beneficiárias do Bolsa Família. Com pouco mais de 6 mil habitantes, o município teria apenas 29 trabalhadores com carteira assinada — o equivalente a cerca de 0,48% da população e a um emprego formal para cada 215 moradores.

No vídeo, Talita afirma ainda que a situação está longe de ser uma exceção. De acordo com o levantamento apresentado por ela, 2.639 municípios brasileiros possuem mais pessoas atendidas pelo Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste.

A candidata também chama atenção para a capacidade de arrecadação de Itaubal. Segundo os números divulgados por ela, o município arrecada menos de R$ 900 mil por ano com IPTU, ISS, taxas e multas, enquanto aproximadamente R$ 16 milhões seriam destinados anualmente ao pagamento do Bolsa Família às famílias da cidade.

A partir dos números, Talita ampliou a discussão para o Pacto Federativo e criticou a forma como os recursos arrecadados são distribuídos entre os estados.

“Tem cidade que produz, recebe muito menos, e tem cidade que não produz e recebe muito mais”, afirmou.

Segundo os dados citados pela parlamentar, para cada R$ 1 arrecadado pelo Amapá, o estado receberia R$ 3,97 de volta. No Rio de Janeiro, o retorno seria de apenas R$ 0,16. Santa Catarina receberia R$ 0,13 e São Paulo, R$ 0,07.

Ao final da publicação, Talita direcionou a crítica para a carga tributária e afirmou que trabalhadores e empresários acabam financiando uma conta que, na avaliação dela, não fecha.

“O trabalhador paga impostos, os empresários pagam muitos impostos para o governo fingir que está sendo bonzinho com a população que mais precisa”, declarou.

Na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, a vereadora encerrou o vídeo lembrando justamente que cabe aos deputados federais fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.

“Essa conta não está fechando. Vocês já pararam”

Limpatech