O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio das contas bancárias, cartões e transações via Pix do senador Marcos do Val (Podemos-ES), após o parlamentar viajar aos Estados Unidos descumprindo uma decisão da Corte. Investigado por obstrução de Justiça, Do Val embarcou para Miami na quarta-feira (23), utilizando um passaporte diplomático, mesmo após ter sido proibido de deixar o país sem autorização.
Segundo apuração do Metrópoles, o pedido para realizar a viagem foi indeferido por Moraes, o que configura descumprimento de ordem judicial. Do Val, no entanto, afirma que havia comunicado previamente o STF e sustenta que sua liberdade de locomoção não está formalmente restringida.
“Apesar de estar sofrendo graves violações das minhas prerrogativas parlamentares, até o momento, não há qualquer decisão judicial válida que restrinja a minha liberdade de locomoção”, declarou o senador em nota oficial. Ele afirmou ainda que pretende retornar ao Brasil após o recesso parlamentar, mas que decidiu seguir de Orlando para Washington por conta do bloqueio de suas contas.
O parlamentar está no centro de investigações conduzidas pela Polícia Federal por publicar dados do delegado Fábio Shor, responsável por apurar os atos antidemocráticos do 8 de Janeiro e o envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados. Do Val já havia sido alvo de operações anteriores da PF e teve as redes sociais suspensas em 2023 por suposta tentativa de atrapalhar as investigações.
Apesar da ordem para entregar seus passaportes, o senador não cumpriu a determinação e continuou se manifestando contra Moraes, a quem acusa de perseguição. Em episódios anteriores, chegou a afirmar que dormiria no plenário do Senado por não ter recursos, após o bloqueio judicial de R$ 50 milhões.
A viagem de Marcos do Val reacendeu críticas no Senado e o caso voltou a ser debatido entre líderes partidários. O STF mantém silêncio público sobre o episódio, sob alegação de que o inquérito corre sob sigilo.














