Servidores de Itaguaí denunciam desvio de função e vale congelado há quase 10 anos

Sinserv Itaguaí

Os servidores de Itaguaí denunciaram situações de desvio de função e a falta de reajuste no auxílio-transporte pago pela Prefeitura desde 2017. De acordo com a apuração do portal EXTRA, as reclamações foram feitas pelo sindicato que representa a categoria, o Sinserv Itaguaí, que afirma que dezenas de trabalhadores foram deslocados para atuar na Secretaria Municipal de Educação em condições diferentes das previstas originalmente em concurso público.

Segundo a entidade, 74 servidores de outras secretarias passaram a exercer funções ligadas à Educação a partir de 2017. Em alguns casos, trabalhadores aprovados para cargos de nível fundamental acabaram desempenhando atividades administrativas de nível médio.

O sindicato afirma que as mudanças ocorreram por questões políticas e provocaram impactos negativos na saúde física e emocional de parte dos funcionários. Muitos relatam dificuldades de adaptação, perda de benefícios e aumento da pressão no ambiente de trabalho.

Um dos servidores ouvidos relatou que atuava na Secretaria de Fazenda antes de ser transferido para uma unidade escolar. Sem se identificar por medo de retaliações, ele afirmou ter perdido gratificações e o vale-alimentação após a mudança de setor.

“Eu já era diabético, mas minha diabetes estava controlada. Entrei em depressão, fiquei dois anos afastado e perdi um dedo do pé. Vamos voltar escangalhados”, relatou o servidor em depoimento ao jornal Extra.

De acordo com o grupo SOS Servidores, ao menos 11 trabalhadores afastados da função original precisaram tirar licença médica ao longo dos últimos anos por problemas relacionados à saúde.

Embora parte dos servidores já tenha começado a retornar às secretarias de origem neste ano, alguns ainda aguardam realocação definitiva. Segundo a Prefeitura de Itaguaí, cerca de 30 funcionários seguem atuando na Secretaria Municipal de Educação.

Além das denúncias de desvio de função, os servidores de Itaguaí também reclamam do auxílio-transporte pago pela administração municipal. O benefício permanece fixado em R$ 176 desde 2017, sem qualquer reajuste no período.

A categoria compara a situação com a da Câmara Municipal, onde o auxílio-transporte foi atualizado neste ano e passou a ser de R$ 635,95.

Em nota, a Prefeitura informou que o retorno dos servidores está sendo realizado gradativamente e justificou a movimentação de funcionários por dificuldades financeiras e limitações para contratação temporária.

Sobre o auxílio-transporte, o município reconheceu que o valor está defasado e informou que estudos estão sendo realizados para avaliar uma possível atualização do benefício dentro da capacidade financeira da administração.

A Prefeitura também destacou que existe uma ação civil pública impondo restrições à ampliação de despesas com pessoal, o que impactaria diretamente qualquer reajuste imediato.

O caso segue repercutindo entre servidores municipais e deve continuar gerando debates sobre condições de trabalho, valorização profissional e saúde dos funcionários públicos em Itaguaí.

Limpatech