Servidor mata servidoras após arquivamento de processo contra o Cefet no Rio

Carro da Polícia Civil na frente do Cefet

O arquivamento de processo contra o Cefet antecedeu um ataque que terminou com a morte de duas servidoras dentro do campus Maracanã, no Rio. João Antônio Miranda Tello Ramos, funcionário da instituição, assassinou as colegas Allane Mattos e Layse Costa na sexta-feira, três dias depois de a Justiça Federal encerrar a ação movida por ele contra o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que a decisão, assinada pela juíza Frana Elizabeth, apontou falta de competência da 26ª Vara Federal para analisar o caso. Na ação, João alegava ocupar cargo de pedagogo desde 2014, relatando situações de desvio de função, irregularidades internas e práticas que considerava incompatíveis com as normas educacionais. Ele também juntou laudos médicos e dizia que o afastamento era urgente para evitar danos à saúde mental. A decisão judicial reconheceu a ilegitimidade passiva da União e determinou o arquivamento, além de cobrar custas e honorários.

Familiares de Allane acreditam que a negativa da Justiça pode ter influenciado o ataque. “Ele entrou com um processo contra ela, que era chefe dele. Ela estava muito abalada com isso. Ele perdeu o processo alguns dias antes do assassinato. Então, acredito que isso motivou o que ele fez”, afirmou Alline Pedrotti, irmã de Allane, em entrevista ao DIA.

Uma servidora que pediu para não ser identificada afirmou ter avisado a direção sobre o risco de agressões. Para ela, o caso representava “uma tragédia anunciada”, e haveria outros funcionários com comportamentos preocupantes capazes de cometer ataques semelhantes. Segundo o relato, denúncias foram encaminhadas à gestão do Cefet, à direção-geral e ao Ministério da Justiça, que chegou a entrar em contato, mas sem avanço em medidas preventivas.

Após o crime e o suicídio do autor, as investigações foram iniciadas na Delegacia de Homicídios e posteriormente assumidas pela Polícia Federal. O corpo de Layse foi sepultado no Cemitério São João Batista, em Botafogo, enquanto o de Allane foi enterrado no Jardim da Saudade, em Paciência.

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