Sérgio Luiz Belém é absolvido após dois anos e meio preso

Sérgio Luiz Belém

Sérgio Luiz Belém, de 36 anos, foi absolvido nesta semana da acusação de homicídio e deixou a penitenciária de Japeri na quinta-feira (5), após dois anos e meio preso injustamente. O homem, que vivia em situação de rua, havia sido acusado da morte do dono de uma borracharia em Queimados, na Baixada Fluminense.

Conforme a apuração de Rômulo Cunha e Luiz Maurício Monteiro, do jornal O Dia, a prisão foi baseada exclusivamente no depoimento de uma testemunha que não presenciou o crime. Sérgio trabalhava para a vítima em troca de abrigo no próprio local e sempre negou envolvimento no homicídio ocorrido em 2022.

A equipe de defesa, liderada pelo advogado Arthur Assis, revisou o processo e encontrou diversas incongruências, como imagens de câmeras de segurança e falhas no depoimento da principal testemunha. Segundo o advogado, a investigação se acomodou no fato de Sérgio estar em situação de rua. “Foi muito fácil pegar uma pessoa em situação de rua e deixar lá. Quando falaram que havia sido uma pessoa em situação de rua, a investigação acabou”, afirmou.

A absolvição foi unânime no Tribunal do Júri. Sérgio agora tenta retomar a vida ao lado da família. Durante o tempo em que esteve preso, seus parentes chegaram a acreditar que ele havia morrido, já que não foram informados sobre sua detenção. Agora, o advogado busca também apoio para reintegrá-lo à sociedade e estuda processar o Estado pela prisão injusta.

Sérgio demonstrou gratidão ao ser libertado, mas também mágoa: “Graças a Deus, estou livre depois de ficar preso por uma coisa que não fiz. Essa mulher me acusou do que não fiz. Mas agora estou feliz”, declarou. A primeira refeição em liberdade foi simples: sanduíches, biscoitos e refrigerante. Emocionado, ele disse que pretende procurar trabalho e voltar a atuar como gari, profissão que exerceu anos atrás.

Sobre o tempo na prisão, relatou as dificuldades: “Era sinistro! Lá não é para qualquer um, quase todo dia morre um de porrada. Mas nunca aconteceu comigo. Sempre respeitei, nunca fiz nada errado”. A primeira noite fora do presídio será passada com a irmã Adriana, em Nova Iguaçu. As irmãs Kelly e Giselle, que o acompanharam na saída, prometeram ajudá-lo a não se afastar novamente da família.

A defesa agora trabalha para limpar o nome de Sérgio, que possui uma anotação por furto, e está em busca de apoio, inclusive odontológico. “Se uma alma caridosa, uma clínica talvez, pudesse ajudá-lo com um tratamento dentário, esse seria o nosso pagamento”, pediu o advogado Arthur Assis.

Um erro de comunicação quase impediu a família de acompanhar sua saída, já que inicialmente acreditavam que ele seria libertado em São Gonçalo. A Secretaria de Administração Penitenciária explicou, por nota, que ele permaneceu em Japeri por estar próximo ao local da audiência de custódia.

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