Sepultamento de sargento do Bope tem homenagens e promessa de resposta da PM

Sepultamento de sargento do Bope

O corpo do sargento do Bope Heber Carvalho da Fonseca, de 39 anos, foi sepultado na tarde desta quinta-feira (30) no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio. O cortejo partiu da sede do Batalhão de Operações Especiais (Bope), em Laranjeiras, e percorreu cerca de 40 quilômetros até o local, acompanhado por dezenas de viaturas, motociclistas e um helicóptero da corporação. Sob chuva leve, o militar recebeu honras e homenagens de colegas, familiares e amigos.

O sepultamento teve presença do secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, que classificou a operação nos complexos da Penha e do Alemão — onde Heber foi morto em confronto — como um marco para a segurança pública do estado. Segundo ele, o plano, batizado de “muro do Bope”, foi meticulosamente elaborado para proteger a população e conter grupos armados.

Esses policiais foram atacados por narcoterroristas. Fizemos um planejamento criterioso para preservar vidas. A opção pelo confronto foi dos criminosos fortemente armados. Essa operação foi um marco para a segurança pública no Rio de Janeiro, afirmou o coronel.

Durante a cerimônia, Menezes pediu apoio da sociedade e destacou o papel das forças de segurança. A gente apela para que o cidadão de bem valorize os policiais, porque são eles a última barreira entre o bem e o mal, disse o secretário, acrescentando que a corporação vai adotar como lema a frase dita por Heber antes da missão: “Ninguém vai parar a gente.”

O oficial também informou que as ações de combate ao crime seguirão como política de Estado, com novas operações estratégicas e planejadas. Segundo ele, dois policiais militares permanecem em estado grave, outros sete estão estabilizados, e há também um delegado da DRE em estado crítico, além de três policiais civis que devem receber alta em breve.

Em nome da família e dos filhos dele, estamos aqui para dizer que a vida dele não será em vão e que a resposta será dada à altura e dentro da legalidade, completou o secretário.

A viúva, Jéssica, acompanhou o sepultamento ao lado dos filhos, que vestiam camisas do Bope em homenagem ao pai. Abalada, preferiu não falar com a imprensa.

O cunhado de Heber, o corretor de imóveis Anderson Araújo, lembrou com emoção da convivência com o militar. Quem o conheceu está sofrendo agora, está doendo. Ele era casado com minha irmã, pai de dois filhos e tinha um enteado que o considerava como pai. Um herói. Um verdadeiro herói, declarou em depoimento.

Anderson contou ainda que Jéssica costumava trocar mensagens com o marido sempre que ele estava em operação. Na manhã do confronto, eles se falaram pela última vez. A família foi ao Hospital Central da PM, no Estácio, em busca de notícias, mas perdeu as esperanças ao saber que o nome de Heber não estava entre os feridos.

A morte do sargento ocorreu durante a Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão. Ao todo, 121 pessoas morreram, incluindo quatro policiais — dois militares e dois civis — e 117 suspeitos, segundo a Secretaria de Segurança. Outros 15 agentes ficaram feridos. A ação, considerada a mais letal da história do estado, continua sendo investigada pelas autoridades.

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