Sem luz por até 24 horas, condomínio do Cachambi vive caos com apagões

Sem luz por até 24 horas no Cachambi

Sem luz por até 24 horas no Cachambi, é que descreve a rotina recente dos moradores do Condomínio Nobre Norte Residencial, localizado na Avenida Dom Hélder Câmara, Zona Norte do Rio de Janeiro. O conjunto, que reúne quase 500 apartamentos distribuídos em três blocos, voltou a sofrer sucessivas quedas de energia na madrugada e ao longo da última quarta-feira, com novos apagões registrados na noite de sábado.

Segundo relatos, o prédio ficou sem fornecimento de energia desde as 4h da madrugada. De acordo com os moradores, a interrupção não teria ocorrido de forma inesperada: o fornecimento teria sido desligado para manutenção em plena onda de calor. Para sustentar o funcionamento do condomínio, foram levados geradores ao local, mas um dos equipamentos apresentou falha e não funcionou.

No primeiro dia do problema, os blocos 1 e 3 tiveram o fornecimento parcialmente restabelecido ainda pela manhã. Já o bloco 2 permaneceu cerca de 24 horas completamente às escuras. Desde então, a energia passou a oscilar com frequência, com quedas sucessivas ao longo do dia e da noite. Apenas no sábado, moradores afirmam que o fornecimento caiu mais de dez vezes.

Os apagões causaram uma série de prejuízos, como alimentos estragados e aparelhos eletrônicos queimados. O problema também afetou diretamente a mobilidade no prédio de 14 andares: com os elevadores fora de operação, idosos precisaram ser carregados no colo por familiares e vizinhos para subir e descer os apartamentos.

Polícia acionada

Diante da repetição das falhas, moradores voltaram a acionar a concessionária Light. Segundo a síndica Priscila Costa, a empresa informou novamente que não seria responsável pela situação. A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro chegou a ir ao local, mas informou que não poderia conduzir responsáveis de forma compulsória, atuando apenas como mediadora entre a síndica e o supervisor da empresa envolvida.

De acordo com o relato, o supervisor afirmou que um ofício teria sido emitido para a troca do gerador defeituoso, mas nenhum documento foi apresentado. Diante da falta de confiança nas tratativas, a síndica decidiu registrar uma ocorrência por negligência, tanto contra a Light quanto contra a empresa responsável pelos geradores.

Diversos moradores relatando aparelhos queimados. Idosos sendo carregados no colo por não ter elevador. Hoje a polícia foi chamada e disse que nada pode fazer — afirmou Renato Machado, morador do condomínio.

Enquanto o boletim de ocorrência era registrado, o delegado tentou contato telefônico com o supervisor da empresa de geradores para solicitar o CPF. Segundo o relato, a ligação foi desligada, o contato deixou de atender e o técnico responsável pelo reparo teria abandonado o local, permanecendo apenas um funcionário encarregado do abastecimento do equipamento.

Crise que se arrasta há dias

Os relatos reforçam um cenário já reconhecido pela própria Light em entrevistas recentes. Segundo a concessionária, o sistema elétrico da região do Grande Méier opera sob forte estresse em meio às ondas de calor e às obras de substituição de cabos de alta tensão considerados obsoletos na subestação do Cachambi, com previsão de conclusão até maio.

A empresa afirma que, enquanto as obras não são finalizadas, um plano de contingência foi acionado, com uso de geradores para sustentar o fornecimento em caso de falhas. O caso do condomínio, porém, expõe uma nova frente do problema: geradores instalados diretamente em prédios residenciais, com funcionamento instável e sem prazo definido para retirada, ampliando a insegurança e o desgaste dos moradores.

Limpatech