O Samba do Cardosão, tradicional roda cultural realizada em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade. A medida, de autoria do vereador Flávio Valle (PSD), foi aprovada em segunda discussão na Câmara de Vereadores e aguarda agora a sanção do prefeito Eduardo Paes.
Mais do que uma simples celebração musical, o Cardosão representa um espaço de resistência cultural e fortalecimento dos laços comunitários. Criado na década de 1970 com o Bloco Cardosão, o local voltou a pulsar com força em 2007, por iniciativa do líder comunitário Gustavo Dias, conhecido como Gugu, que reativou as rodas de samba e ampliou o espaço para outras expressões culturais.
Gugu, morador do bairro há 35 anos, viu no Cardosão uma oportunidade de unir gerações por meio da arte. “Acho especial geograficamente falando, fica localizado no coração de Laranjeiras, com vista para o Cristo Redentor. Uma província suburbana dentro da Zona Sul”, afirmou. Ele liderou projetos que incluem oficinas de rap, capoeira, jiu-jitsu, dança aérea e ações sociais voltadas para jovens e moradores da região.
A conquista do reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial valoriza também a chamada “velha guarda da rua”, cuja atuação foi essencial na preservação da identidade do local. “Hoje o público dos nossos eventos é mais jovem, com artistas famosos, influenciadores digitais e até jogadores de futebol, mas a nossa essência é, e sempre será, familiar”, declarou Gugu.
A votação que aprovou o projeto de lei ocorreu na última terça-feira (27) e contou com apoio de diversos setores culturais. O título reforça a importância do Samba do Cardosão como polo de cultura popular e símbolo de resistência urbana no cenário carioca.














