O Riocard não será aceito nos transportes municipais do Rio a partir do dia 2 de agosto. A Prefeitura anunciou oficialmente as datas da migração total para o sistema Jaé, que se tornará o único válido nos modais da cidade, como ônibus, BRT, VLT, vans e cabritinhos. A mudança faz parte da nova política de bilhetagem pública municipal.
De acordo com matéria da jornalista Jéssica Marques, do jornal Extra, a transição ocorrerá em duas etapas. A primeira começa no dia 5 de julho, quando todos os usuários com gratuidade — como idosos, pessoas com deficiência, doentes crônicos e estudantes da rede pública — deverão estar com o novo cartão Jaé, já que o Riocard deixará de funcionar para esse público nos transportes municipais.
Na segunda etapa, que começa em 2 de agosto, o cartão Jaé será obrigatório para qualquer integração entre diferentes modais dentro da cidade. Isso significa que qualquer passageiro que utilize ônibus, BRT, VLT ou vans precisará do novo sistema para integrar as viagens no período de até três horas.
A prefeitura já emitiu 1,3 milhão de cartões Jaé e estima que cerca de 400 mil pessoas usem o sistema diariamente. No entanto, muitos cartões ainda aguardam retirada nas lojas físicas, e a orientação é que os usuários façam o cadastro o quanto antes para evitar transtornos.
Para obter o Jaé, o usuário tem quatro opções: baixar o cartão digital via aplicativo, solicitar o cartão físico com entrega em casa (taxa de R$ 7,95), retirar em uma das 15 lojas físicas ou comprar o cartão avulso em máquinas de autoatendimento no VLT. Esse último é indicado principalmente para turistas e não permite integração via CPF.
As gratuidades serão automaticamente migradas para o Jaé. Para pessoas com mais de 65 anos, o cartão pode ser entregue gratuitamente em casa após cadastro. Já PCDs e doentes crônicos precisam apresentar laudo médico de unidades de saúde municipais. Estudantes de escolas públicas e universitários beneficiados por programas sociais também terão acesso gratuito mediante cadastro no aplicativo.
O sistema permitirá integração apenas entre transportes municipais. Usuários do Bilhete Único Intermunicipal (ônibus intermunicipais, trens, metrôs e barcas) continuarão utilizando o Riocard, mas precisarão do Jaé para acessar os transportes geridos pela Prefeitura do Rio. Em muitos casos, isso exigirá o uso de dois cartões diferentes.
As empresas também terão papel fundamental no processo. Os setores de recursos humanos deverão informar os trajetos dos funcionários para que o sistema Jaé possa calcular o valor proporcional da integração, dividida entre o Jaé e o Riocard, conforme o modal utilizado.
O vice-prefeito Eduardo Cavaliere destacou que o Jaé marca uma nova fase do transporte público carioca, mais transparente e com controle direto da Prefeitura sobre dados e funcionamento. “É a saída da caixa-preta”, afirmou. Já a secretária de Transportes, Maína Celidonio, lembrou que 85% dos idosos da cidade já estão cadastrados no novo sistema.
A adoção do Jaé faz parte do acordo judicial que encerrou a disputa entre a Prefeitura e o setor privado, garantindo à administração pública o controle sobre a bilhetagem. A expectativa é de que o novo sistema traga mais eficiência, praticidade para o usuário e visibilidade sobre os fluxos de transporte.
A Prefeitura ainda enfrenta desafios técnicos, principalmente relacionados a falhas no aplicativo, mas informou que negocia melhorias com as empresas envolvidas na operação do sistema. O grupo responsável inclui a Autopass, nova operadora da bilhetagem, e a Billing Pay, responsável pela tecnologia e equipamentos.
O prazo final é claro: a partir de agosto, o Riocard não será aceito em nenhum transporte municipal, e quem não tiver o Jaé estará impedido de realizar integrações dentro da cidade.














