O Rio de Janeiro amanheceu tomado pela fé nesta terça-feira, 23 de abril, data em que se celebra São Jorge, um dos santos mais queridos pelos cariocas. O feriado estadual, tradicionalmente marcado por missas, procissões e festas populares, ganhou um tom especial neste ano com homenagens ao papa Francisco, falecido nesta semana. A coincidência do nome de batismo do pontífice, Jorge Mario Bergoglio, com o santo guerreiro, reforçou o clima de devoção e emoção entre os fiéis.
As principais celebrações aconteceram em pontos tradicionais da cidade. A Igreja Matriz de São Jorge, em Quintino Bocaiúva, Zona Norte do Rio, reuniu milhares de pessoas desde a madrugada para a tradicional alvorada. Durante a cerimônia, telões exibiram imagens e discursos do papa Francisco, especialmente momentos marcantes da Jornada Mundial da Juventude de 2013, quando o pontífice visitou o Brasil. Muitos fiéis não contiveram as lágrimas ao relembrar a passagem do papa pelo Rio de Janeiro.
No Centro, a Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, na Praça da República, também foi palco de uma grande homenagem. Um palco foi montado na Avenida Presidente Vargas e, durante a alvorada, fiéis iluminaram o local com lanternas de celulares enquanto a imagem do papa Francisco era exibida ao lado da imagem do santo. O momento mais aguardado foi a participação especial do cantor Jorge Ben Jor, devoto de São Jorge, que emocionou o público ao interpretar clássicos dedicados ao santo guerreiro.
Em Realengo, a Paróquia de São Jorge manteve sua tradição com uma programação intensa de missas, procissões e bênçãos ao longo de todo o dia. As ruas do bairro foram decoradas com faixas e bandeiras nas cores vermelho e branco, símbolos do santo, e as famílias se reuniram para agradecer graças alcançadas e renovar seus pedidos de proteção.
“Admiro a força e a proteção de São Jorge. Hoje, lembrar também do papa Francisco torna este dia ainda mais especial. É um momento de fé e gratidão”, disse Maria das Dores, devota presente na celebração, em depoimento à CNN Brasil.
O sincretismo religioso, característica marcante da cultura carioca, também esteve presente nas homenagens. Em diversas casas de candomblé e umbanda, São Jorge foi reverenciado como Ogum, orixá guerreiro ligado à luta e à proteção. Terreiros de toda a cidade realizaram oferendas, rezas e festividades, reforçando a diversidade da fé no Rio de Janeiro.
“Para nós, Ogum representa a força e a coragem para enfrentar as batalhas da vida. Hoje é dia de celebrar essa energia e pedir proteção para todos”, afirmou Pai Cláudio de Ogum, líder espiritual de um terreiro em Madureira, em depoimento à CNN Brasil.
O dia de São Jorge no Rio é mais do que uma celebração religiosa; é um símbolo da união entre tradições, culturas e crenças que coexistem na cidade. Entre rezas católicas, cânticos afro-brasileiros e manifestações culturais, o 23 de abril reafirma a importância do santo guerreiro no coração dos cariocas.
Além das celebrações religiosas, o comércio também aproveitou a data para oferecer produtos temáticos, como imagens, velas, camisetas e lembranças dedicadas a São Jorge. Bares e restaurantes prepararam pratos especiais e eventos musicais que atraíram moradores e turistas, transformando o feriado em uma verdadeira festa popular.
O calendário fluminense segue tendo o dia de São Jorge como uma das datas mais queridas e respeitadas, unindo fé, cultura e tradição em uma manifestação única da identidade carioca. Neste ano, com a homenagem ao papa Francisco, o feriado ganhou ainda mais significado, celebrando não apenas o santo guerreiro, mas também a memória de um líder religioso que marcou a história recente.














