O Rio de Janeiro vive um daqueles contrastes que já se tornaram quase típicos da nossa história recente. De um lado, comemoramos números expressivos: 2025 caminha para fechar como um dos anos mais fortes do turismo internacional na última década, com ocupação alta, voos lotados e o mundo redescobrindo a cidade.
De outro, assistimos à prisão do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, um dos nomes mais influentes da política fluminense. Um episódio grave, de repercussão nacional, que joga luz — mais uma vez — sobre a instabilidade política que insiste em atravessar nosso estado.
É justamente nesse ponto que a discussão precisa ser ampliada. Porque, embora pareça que política e turismo ocupam gavetas diferentes, na prática, os dois setores se cruzam no mesmo lugar: a percepção de confiança no destino.
Quando um turista escolhe o Rio, ele não compra apenas praia, sol e paisagem. Ele compra segurança, previsibilidade e governança. E, para o investidor — seja ele uma operadora internacional, um grupo de hotelaria ou um pequeno empreendedor local — esses fatores são decisivos.
Escândalos de alto escalão, como a prisão de Bacellar, funcionam como um alerta vermelho para quem observa o Rio de fora. Podem não mudar o fluxo turístico de um dia para o outro, mas afetam a imagem institucional que sustenta o setor no longo prazo.
O turismo é extremamente sensível ao ambiente político. Quando há turbulência, recursos deixam de chegar, projetos ficam parados, parcerias internacionais recuam e a visão de futuro diminui.
E esse é o ponto em que precisamos ser firmes: não existe turismo forte em um estado politicamente frágil.
Não existe destino desejado onde a desconfiança se instala na máquina pública.
É claro que o Rio tem uma força própria — sua beleza, sua cultura, seu povo — que resiste aos solavancos. Mas depender exclusivamente disso é perpetuar o risco. O setor precisa de instituições sólidas, transparência e continuidade de políticas públicas que sobrevivam às crises e às manchetes negativas.
A prisão de Bacellar deve servir, portanto, não apenas como mais um capítulo policial, mas como lembrete de que o turismo não é um adorno da economia: ele é motor.
E motores precisam de estabilidade, combustível limpo e direção clara.
Se queremos que o Rio continue crescendo, recebendo mais gente, atraindo investimentos e gerando renda, precisamos começar pelo óbvio: colocar a casa política em ordem.
Porque, enquanto o mundo observa, cada movimento na nossa vida institucional se transforma em sinal — positivo ou negativo — para quem escolhe visitar, investir ou trabalhar aqui.
O turismo do Rio merece mais do que sobreviver às crises. Ele merece ser planejado, respeitado e protegido delas.
Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo
*Este artigo reflete exclusivamente a opinião do autor. O conteúdo não representa, obrigatoriamente, a linha editorial do Jornal O Povo na Rua.














