Operação Revela Esquema Criminoso de Venda de Remédios Abortivos e Acompanhamento Ilegal no Rio de Janeiro
Uma ação policial resultou na prisão de duas mulheres acusadas de integrar uma quadrilha que comercializava ilegalmente medicamentos abortivos. Além da venda dos fármacos, o grupo oferecia acompanhamento para os procedimentos, mediante pagamento de taxas adicionais, incluindo um controverso “adicional noturno”.
A descoberta do esquema ocorreu após uma vítima se sentir lesada ao tentar adquirir os remédios e decidir denunciar a prática à polícia. A investigação, conduzida pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Nova Iguaçu em parceria com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), aponta para uma atuação disseminada em várias cidades do estado.
Conforme informações divulgadas pela Polícia Civil, o grupo não demonstrava preocupação com a saúde das mulheres, visando apenas o lucro. As autoridades seguem em busca de outros integrantes da rede criminosa, que podem atuar em outras regiões do país.
Desmantelamento da Quadrilha e Prisões
Priscila Fernanda Monteiro de Souza e Naiara Pereira Silva foram as mulheres presas em flagrante durante a operação. A investigação aponta que elas não só vendiam os remédios abortivos, mas também cobravam valores extras para auxiliar nos procedimentos, chegando a exigir um “adicional noturno” para o acompanhamento.
O promotor Bruno Gangoni, responsável pelo caso, detalhou que as investigações identificaram a atuação do grupo em municípios como Duque de Caxias, Maricá, São João de Meriti e Nova Iguaçu. Ele ressaltou que as orientações fornecidas para a realização do aborto eram “bastante rudimentares mesmo, perigosas”.
Investigação e Apreensão de Materiais
As autoridades descobriram que o grupo anunciava os medicamentos abortivos pela internet e monitorava os procedimentos em grupos de aplicativos de mensagens. Durante a operação, foram apreendidas cartelas de medicamentos, celulares, máquinas de pagamento e cartões, que serão utilizados como prova no inquérito.
A delegada Mônica Areal, responsável pelas investigações, enfatizou a “longa investigação” que levou às prisões. Ela destacou a “farta quantidade de medicamento abortivo” encontrada e reiterou que o único objetivo do grupo era o lucro, “sem a menor preocupação com a saúde, o bem-estar da paciente”.
Busca por Mais Integrantes e Alerta à População
A Polícia Civil continua os trabalhos para identificar outros membros da quadrilha que possam estar atuando no Rio de Janeiro e em outras partes do Brasil. A operação serve como um alerta para os perigos de adquirir medicamentos e realizar procedimentos abortivos fora do ambiente médico legal e seguro.
A TV Globo informou que não conseguiu contato com a defesa das presas até o momento. O caso reforça a importância de buscar orientação médica e legal em situações de gravidez indesejada, evitando riscos à saúde e à vida.














