Psicóloga do IAA dá dicas para pessoas não ficarem viciadas em apostas

Aline Esteves, psicóloga do Instituto de Apoio ao Apostador

A prática de apostar acende um alerta no Brasil por conta do crescente número de casos de compulsão. O jogo, apesar de ser considerado uma forma de entretenimento, possui muitos riscos envolvidos e pode fazer com que a pessoa desenvolva um quadro de ludopatia, o vício em apostas.

Estar atento às práticas e ações que podem evoluir para um comportamento compulsivo é determinante para se prevenir. Aline Esteves, psicóloga do Instituto de Apoio ao Apostador (IAA), destaca que os principais riscos causados pela compulsão são isolamento, endividamento e transtornos emocionais.

“Pessoas com comportamento compulsivo tendem a esconder o problema e recorrer a empréstimos, cartões de crédito e até práticas ilegais para continuar apostando. Além disso, a frustração constante com as perdas, aliada à esperança de recuperar o que perdeu, gera um ciclo de sofrimento”, ressalta a psicóloga.
Para evitar que a prática de apostar se torne um problema, a especialista do IAA dá dicas importantes para manter os cuidados necessários e garantir que o jogo permaneça apenas como entretenimento seguro.

“É possível evitar a compulsão por apostas estabelecendo limites de tempo e dinheiro, conhecendo seus gatilhos e substituindo o comportamento de risco por hábitos saudáveis”, destaca Aline.

Limites financeiros e de tempo

De acordo com a psicóloga, o primeiro passo para manter o equilíbrio ao apostador é estabelecer limites claros de tempo e também de dinheiro a serem gastos.

“Não é só sobre apostar menos, mas sim com mais consciência. Definir quanto tempo e dinheiro você pode dedicar ao jogo já é um passo de autocuidado.”, destaca Aline.

Atenção aos sinais de alerta

Apostar costuma iniciar como uma forma de diversão para a maioria das pessoas, conforme relata a especialista do IAA. No entanto, a linha entre lazer e vício é tênue, principalmente quando há uma fuga da realidade por parte do apostador. Portanto, é importante saber quais são os sinais que indicam risco.

“Se você ou alguém próximo sente necessidade de apostar quantias cada vez maiores, mente sobre o tempo gasto jogando ou sente irritação ao tentar parar, esses podem ser indicativos de compulsão.”, reforça a psicóloga.

Conhecer gatilhos emocionais

A segunda dica dada pela especialista é para que a pessoa identifique e conheça os seus gatilhos emocionais. Eles são estímulos ou situações que desencadeiam reações involuntárias. No caso do vício em apostas, provocam na pessoa o desejo por apostar.

“Identificar essas emoções é essencial para evitar a associação entre sofrimento psíquico e a busca por recompensa imediata. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem se mostrado eficaz nesse processo, ajudando o indivíduo a ressignificar pensamentos automáticos sobre o jogo”, ressalta.

Além disso, a psicóloga do Instituto de Apoio ao Apostador ainda pontua que muitas pessoas apostam por emoções como tédio, ansiedade, frustração e até mesmo a solidão, o que comprova a influência dos gatilhos.

Falar sobre o assunto

Outra dica muito importante que Aline Esteves separou é para que o apostador fale sobre o problema que o cerca com profissionais especializados. Segundo ela, contar com apoio nesses momentos faz toda a diferença.

“Buscar ajuda profissional e participar de grupos como o IAA, é uma forma poderosa de quebrar o silêncio e fortalecer a rede de apoio.

Se informar sobre os riscos

Conforme indicado nas diretrizes da portaria de jogo responsável, SPA/MF Nº 1.231, o apostador deve buscar informações sobre as chances reais de ganhar e perder antes de jogar. Se educar dos riscos o ajudará a jogar de forma mais consciente e controlada.

A psicóloga Aline Esteves lembra que a maioria dos jogos são programados para gerar lucro à casa de apostas, e não ao jogador. Por isso, para ela, é fundamental estar atento às chances reais de ganho.

“Entender que o ganho fácil é, na verdade, um mito, ajuda a desmontar a ilusão que sustenta o vício.”, pontua.

Praticar atividades saudáveis

A profissional especializada no vício em apostas também cita a substituição do comportamento de risco por atividades saudáveis. Ao realizar essa mudança, o apostador pode se ocupar de ações positivas que o ajudarão a não precisar recorrer às apostas.

“Envolver-se com esporte, música, arte ou projetos voluntários pode ajudar a preencher o vazio que muitas vezes leva à aposta compulsiva.”, conclui Aline.

Por último, Esteves tranquiliza os jogadores compulsivos reforçando que há uma solução. O vício em apostas possui tratamento, acolhimento e caminhos possíveis para retomar a saúde mental a partir do acompanhamento especializado.

E o Instituto de Apoio ao Apostador reforça a importância da informação para a prevenção ao vício em apostas. Além disso, o IAA ainda oferece suporte gratuito, sigiloso e humanizado para jogadores compulsivos e familiares por meio de atendimentos online.

Sobre o Instituto de Apoio ao Apostador

O Instituto de Apoio ao Apostador é uma Organização Sem Fins Lucrativos (ONG) de Niterói responsável pela prevenção e recuperação do vício em apostas. O acompanhamento especializado oferecido é gratuito, sigiloso e humanizado para apostadores compulsivos e familiares.

Com a missão de acolher, conscientizar e transformar, o IAA foi criado para dar suporte real a quem enfrenta essa luta que cresce a cada dia no Brasil. No último ano, foram realizados mais de 15 mil atendimentos individuais, além das sessões semanais de grupos de apoio e consultoria financeira.

A instituição ainda é responsável por realizar campanhas educativas e compartilhar materiais informativos para educar a sociedade sobre os riscos do jogo compulsivo, os impactos financeiros e como ele afeta milhares de famílias no país.

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