Protesto no Flamengo contesta derrubada de mais de 70 árvores em terreno tombado

Protesto no Flamengo

O derrubada de mais de 70 árvores em terreno tombado no Flamengo motivou um protesto realizado na manhã deste sábado (10) na Rua Marquês de Abrantes, em frente ao antigo Colégio Bennett, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O ato reuniu moradores da região e integrantes de coletivos ambientais contrários à supressão da vegetação no local, onde está em andamento a construção de um empreendimento imobiliário.

Segundo os organizadores, o protesto foi articulado por um coletivo de moradores com apoio da Associação de Moradores e Amigos do Flamengo (Amafla). Durante a manifestação, cartazes foram fixados no gradil do terreno, que também é tombado, com críticas à administração municipal e à derrubada das árvores, algumas apontadas como centenárias e fundamentais para a regulação do microclima do bairro.

A mobilização ocupou uma das faixas da Rua Marquês de Abrantes, na altura da Rua Paissandu, provocando trânsito intenso na região. De acordo com os manifestantes, o espaço era conhecido como um “mini bosque do Flamengo” e contribuía para a sombra, a temperatura mais amena e a presença constante de fauna urbana.

Todas as árvores retiradas eram adultas e faziam muita sombra, não só na Rua Senador Vergueiro, mas também nas paralelas. Esse conjunto regulava a temperatura do bairro e era conhecido como o mini bosque do Flamengo. Depois do corte, ficou mais quente, o ar pesado e os pássaros sumiram. Antes a gente acordava com o som das maritacas; agora foi o barulho da motosserra, afirmou Lorena Almeida, uma das organizadoras do protesto, em depoimento à imprensa.

Segundo os moradores, além das aves, animais como micos e gambás deixaram de circular pela área após a retirada da vegetação. A derrubada ocorreu na véspera do Ano Novo, período em que, de acordo com relatos, a empresa responsável informou ter sido contratada pela construtora para executar o serviço.

O caso já vinha sendo acompanhado por órgãos públicos. Um inquérito que apura possível descaracterização do Pavilhão São Clemente, bem tombado onde viveu o Barão de São Clemente, passou a investigar também o corte das árvores. O imóvel é protegido por decreto municipal de 2014, que proibia a supressão da vegetação no local.

O Ministério Público do Rio de Janeiro notificou a Prefeitura do Rio para prestar esclarecimentos sobre o controle e o monitoramento das medidas compensatórias ambientais autorizadas, com prazo até o dia 20 de janeiro. A Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal informou que também acompanha o caso.

Em nota, a prefeitura afirmou que a Fundação Parques e Jardins realiza um levantamento para garantir o plantio de 71 árvores no próprio bairro, além de 632 mudas nativas como compensação ambiental. A gestão municipal informou ainda que dois exemplares de pau-brasil serão transplantados no terreno e que outras sete árvores nativas serão preservadas.

Já a incorporadora responsável pelo empreendimento declarou que o projeto possui todas as licenças necessárias e que as ações ocorreram com acompanhamento dos órgãos competentes. Segundo a empresa, os imóveis tombados serão preservados e integrados ao projeto, com investimento estimado em R$ 5 milhões para restauração do patrimônio histórico.

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