Professor chefe do tráfico, um dos nomes mais influentes fora do sistema prisional segundo a Polícia Civil, foi morto a tiros na noite deste domingo (1º), no Rio de Janeiro. Fhillip da Silva Gregório, de 38 anos, era apontado como o terceiro homem mais importante da facção Comando Vermelho fora da cadeia e liderava parte do tráfico no Complexo do Alemão, na Zona Norte da cidade.
Segundo a Polícia Militar, ele foi levado por familiares até a UPA de Del Castilho, já sem vida. A confirmação da identidade foi feita por sua esposa e pelo advogado, e aguarda validação do Instituto Médico Legal (IML).
Conforme o delegado Leandro Gontijo, da 22ª DP (Penha), o crime ocorreu na área da 44ª DP (Inhaúma) e será investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Foragido há seis anos e com histórico extenso
Professor chefe do tráfico estava foragido do sistema prisional há mais de seis anos e acumulava 65 anotações criminais, incluindo envolvimento com tráfico de drogas, armas e munições.
Investigado por abastecer o Comando Vermelho com armamentos provenientes de países como Paraguai, Peru, Bolívia, Colômbia e até da Europa, ele também era conhecido por articular negociações internacionais e liderar operações logísticas da facção.
Em abril deste ano, mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelaram que Fhillip Gregório mantinha contatos diretos com policiais militares, negociando circulação e posicionamento de operações em áreas do Alemão.
Conversas com PMs e influência no território
As mensagens reveladas no inquérito mostram uma conversa com um policial militar, na qual Professor chefe do tráfico pede a retirada de um blindado da favela. “Tenho a força, ninguém tem mais soldado e fuzil que eu na facção, nem por isso fico de arrogância”, teria escrito ao agente, segundo relatório da PF.
O policial acatou o pedido e justificou a operação como sendo apenas para retirada de uma barricada. As conversas fazem parte da Operação Dakovo, deflagrada pela Polícia Federal em 2023, e expuseram relações entre traficantes e agentes da segurança pública no Rio de Janeiro.
Além dos acordos, o conteúdo das mensagens destaca a influência de Professor na gestão de território, sugerindo que ele determinava quais áreas poderiam ou não receber patrulhamento.
Operação Dakovo e conexões internacionais
O nome de Professor chefe do tráfico também aparece com destaque no inquérito da Operação Dakovo, que denunciou 28 pessoas por tráfico de armas. O grupo é acusado de intermediar a entrada de mais de 43 mil armas no Brasil, vindas do Paraguai.
Segundo o Grupo de Investigações Sensíveis (Gise) da PF da Bahia, Fhillip Gregório era um dos principais compradores de armamentos usados pelo Comando Vermelho no Rio. A Justiça Federal da Bahia chegou a decretar sua prisão preventiva, mas ele nunca foi localizado.
A morte do traficante deve agora ser analisada dentro desse contexto, levando em conta os interesses internos da facção e possíveis disputas de poder.
Investigação e próximos passos
O corpo de Fhillip da Silva Gregório será submetido à perícia e os investigadores da DHC vão ouvir testemunhas e analisar imagens da região onde ele foi baleado.
A Polícia Civil ainda não divulgou suspeitos ou hipóteses iniciais para o crime. A expectativa é que o caso traga novos desdobramentos envolvendo as conexões entre o tráfico e setores da segurança pública já apontados em investigações anteriores.














