Produtora de Dark Horse é alvo de uma operação da Polícia Civil nesta segunda-feira (1º) em investigação sobre suspeita de desvio de verba pública. A apuração mira possíveis fraudes em um contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, responsável pela produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo as investigações, o instituto firmou um termo de colaboração com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades periféricas da capital paulista. A entidade é representada por Karina Ferreira da Gama, também ligada à Go Up Entertainment Ltda, produtora do filme.
A polícia apura se recursos do contrato teriam sido desviados para subsidiar a produção cinematográfica. As suspeitas envolvem falhas consideradas graves desde a origem da contratação.
Entre os pontos analisados pelos investigadores está a capacidade técnica do Instituto Conhecer Brasil. De acordo com a apuração, a entidade não teria experiência comprovada no setor de telecomunicações e atuaria principalmente em feiras de livros e eventos religiosos.
Outro ponto investigado envolve os valores previstos no contrato. A polícia aponta que, enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o instituto previa pagamento fixo de R$ 1.800 por ponto.
As investigações também apontam descumprimento de metas e suspeita de irregularidades em termos aditivos. Segundo os investigadores, teriam sido instalados 3.200 dos 5.000 pontos previstos inicialmente, com alterações contratuais feitas em intervalos curtos.
A apuração cita ainda pagamentos considerados indevidos e antecipados. A suspeita é de que a administração municipal tenha antecipado R$ 26 milhões sem a devida contraprestação.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as investigações e que o material requisitado já havia sido encaminhado às autoridades. A gestão municipal também afirmou que os dados são públicos e constam na prestação de contas do município.
A prefeitura declarou ainda que o programa funciona normalmente e que, dos 3,2 mil pontos contratados, apenas 52 estavam fora do ar por manutenção na manhã desta segunda-feira.
A administração municipal negou pagamento por 5 mil pontos e afirmou que o aditivo mencionado se refere exclusivamente à manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados em comunidades periféricas.
A prefeitura também defendeu que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Segundo a gestão, o chamamento público ficou aberto por 30 dias e ocorreu em 2024, antes da produção do filme citado.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil, que busca esclarecer se houve desvio de recursos públicos e qual seria a eventual conexão entre o contrato de Wi-Fi e a produção do filme Dark Horse.














