Um preso em Japeri foi transferido para Bangu 1 após ordenar, de dentro da cadeia, o incêndio de barricadas durante a operação conjunta de policiais civis e militares na Cidade de Deus e na Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio. A ordem para atear fogo às barreiras teria sido dada por Kevin Carmo Pereira dos Santos, conhecido como Kapetex, que já cumpre pena por porte ilegal de arma e tráfico de drogas.
A investigação identificou a mensagem no celular apreendido em que o criminoso autorizava a ação: Pode tacar fogo em tudo nas ruas. Tá liberado. Faz protesto, conforme divulgado pelo blog de Ancelmo Gois, no jornal O Globo. Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que o detento foi colocado em isolamento e passou por varredura em sua cela para evitar novas comunicações com criminosos.
Na ação, 22 suspeitos foram presos, entre eles uma mulher capturada no Pará. Também foram apreendidos quatro fuzis, sete pistolas e duas granadas. Para dificultar a circulação dos policiais, criminosos sequestraram três ônibus e um caminhão, que foram deixados atravessados em acessos das comunidades. O bloqueio chegou a interditar a pista lateral da Avenida Ayrton Senna, afetando 21 linhas de ônibus. Além disso, 17 escolas municipais e uma estadual suspenderam atividades, e duas unidades de saúde também tiveram serviços interrompidos.
Segundo o Ministério Público, a operação tinha como objetivo prender 12 acusados de associação ao tráfico e cumprir 18 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos, estava Glauber Costa de Oliveira, o GL, gerente do tráfico na região, que mesmo preso desde março de 2023 continuava a dar ordens em grupos de conversa ligados à facção.
O secretário de Segurança, Victor Santos, destacou a importância da ação: Eles querem explorar todos os serviços que aquela região consome, e essa operação mostra a importância da atuação integrada das forças de segurança para impedir essa expansão, afirmou.
Outro destaque foi a prisão de Juliana Santos, conhecida como Ju Pará, em Belém. De acordo com o delegado Moyses Santana, da Polícia Civil do Rio, a criminosa atuava na Gardênia Azul, armada e próxima a chefes locais, até retornar ao Pará há cerca de um mês. Lá, segundo ele, mantinha a ligação entre o tráfico do Rio e o do Norte do país: As investigações demonstraram que ela tinha uma atuação direta com o tráfico ali da Gardênia e já havia sido presa anteriormente por tráfico internacional de drogas, atuando como mula na França.
O delegado Gustavo Fossati, da Polícia Civil do Pará, reforçou o caráter interestadual do caso: Temos diversos faccionados do Comando Vermelho que monitoramos continuamente. A Ju Pará estava nesse trânsito Rio-Pará, articulando essas ações.














