O presidente do Corinthians é indiciado, Augusto Melo, foi acusado nesta quinta-feira (22) pela Polícia Civil de São Paulo pelos crimes de furto qualificado, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Além dele, também foram indiciados o ex-diretor administrativo Marcelo Mariano, o ex-superintendente de marketing Sérgio Moura e Alex Cassundé, empresário ligado à intermediação do contrato com a empresa de apostas VaideBet.
Segundo as investigações conduzidas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o grupo teria atuado de forma conjunta em um esquema que desviou dinheiro por meio de contratos fraudulentos. A suspeita envolve a contratação de uma intermediadora no acordo de patrocínio máster do clube, considerado o maior da história do futebol sul-americano.
O relatório final da Polícia Civil indica que houve abuso de confiança por parte dos envolvidos, além de movimentações suspeitas de dinheiro que configuram lavagem de capitais. A partir do inquérito, cabe agora ao Ministério Público decidir se oferece ou não denúncia à Justiça.
“A defesa do presidente Augusto Melo recebeu com incredulidade e indignação o relatório final do inquérito… Reitera-se a convicção de que o presidente não possui qualquer envolvimento com eventuais irregularidades relacionadas ao caso”, afirmou o advogado de defesa, Ricardo Cury, em nota.
O advogado também destacou que Augusto Melo foi responsável apenas por encaminhar a proposta de contrato de patrocínio aos setores competentes do Corinthians, sem participação direta nas negociações que geraram suspeitas.
Se o Ministério Público oferecer denúncia e ela for aceita, o presidente do Corinthians indiciado, junto aos outros três acusados, se tornará réu no processo penal que investiga o chamado caso ‘VaideBet’. A investigação, que se estende desde 2024, já ouviu mais de 20 testemunhas, incluindo dirigentes e representantes de empresas.
O promotor responsável pelo caso, Juliano Atoji, acompanha de perto a análise do material reunido pela polícia, que inclui quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos envolvidos.
Possível impeachment
O presidente do Corinthians indiciado também enfrenta, na esfera interna do clube, a possibilidade de impeachment. O Conselho Deliberativo do Corinthians se reunirá na próxima segunda-feira (26), às 18h, no Parque São Jorge, para avaliar o pedido de destituição do cargo.
O pedido de impeachment foi protocolado em 2024, após a descoberta de irregularidades no contrato firmado com a VaideBet. Desde então, conselheiros do clube têm pressionado por uma solução definitiva, alegando danos à imagem institucional do Corinthians.
Nos bastidores, cresce o movimento para que Augusto Melo deixe o cargo, especialmente após o indiciamento formal pela Polícia Civil. Apesar da gravidade das acusações, o presidente já havia afirmado, na última sexta-feira (16), que não pretende renunciar.
A situação no Parque São Jorge é considerada uma das maiores crises da história recente do clube, combinando problemas administrativos, suspeitas criminais e forte pressão interna e externa.
O Ministério Público deve se manifestar nos próximos dias sobre a análise do inquérito, o que pode definir os próximos passos tanto na Justiça quanto no próprio clube.














