Ex-presidente da Loterj, Hazenclever Cançado, é Investigado por Gastos Excessivos e Uso Indevido da Máquina Pública em Promoção Pessoal

Corregedoria do Estado do Rio de Janeiro investiga Hazenclever Cançado, ex-presidente da Loterj, por supostas irregularidades administrativas e promoção pessoal durante sua gestão. As denúncias incluem assédio moral, uso indevido de recursos públicos e nomeação de funcionários para fins eleitorais.

A Corregedoria do Estado do Rio de Janeiro abriu uma sindicância para apurar denúncias contra Hazenclever Cançado, ex-presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). Cançado, que deixou o cargo em março para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Liberal (PL), é acusado de diversas irregularidades durante seu período à frente da autarquia.

Entre as principais acusações estão a prática de assédio moral contra funcionários, o uso da Loterj para benefício próprio, incluindo gastos vultosos com passagens e diárias, e a nomeação de cabos eleitorais e funcionários particulares. Um dos processos em andamento foca em “supostas práticas de assédio institucional, promoção pessoal e uso indevido da máquina pública”.

Um relatório preliminar da sindicância já foi enviado à Corregedoria Geral, que decidirá sobre a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). As investigações buscam esclarecer o uso de recursos públicos e a conduta do ex-presidente, conforme informações divulgadas pela imprensa.

Gastos Elevados com Viagens e Diárias Sob Investigação

Documentos obtidos pela reportagem indicam que, entre julho de 2022 e março de 2026, período em que Hazenclever Cançado presidiu a Loterj, a autarquia gastou R$ 386 mil em passagens aéreas e R$ 172 mil em diárias para o ex-presidente. Somando-se as despesas com hospedagem, o montante ultrapassa R$ 585 mil.

As viagens frequentes de Cançado, que residia em Brasília, eram justificadas como “missões oficiais” e “compromissos em Brasília” com “reuniões institucionais”. No entanto, os registros frequentemente coincidiam com finais de semana e feriados, e os detalhes sobre os encontros e os objetivos das reuniões não eram suficientemente descritos.

Acusações de Assédio Moral e Uso Indevido de Contratos

A sindicância também apura denúncias de assédio moral, com relatos de que o ex-presidente constrangia e ameaçava funcionários para atender seus interesses pessoais. Uma das situações sob escrutínio é a determinação de Hazenclever para que a empresa Rio Pag deixasse de repassar à Loterj sua parte em um contrato que concedeu à empresa o monopólio na intermediação de pagamentos entre apostadores e casas de apostas no Rio de Janeiro.

Este contrato gerou controvérsia, pois a Rio Pag ficava com até 2,5% de cada transferência, tornando a licença estadual mais cara que a federal, onde a taxa padrão é de 0,20%. A licitação que concedeu o monopólio à Rio Pag foi marcada por eliminações questionáveis da primeira colocada, que oferecia uma taxa melhor.

Suspeitas sobre Movimentação de Bilhões e Custódia de Verbas

Em janeiro de 2024, a RioPag recebeu mais de R$ 30 milhões de uma única casa de apostas, enquanto o Estado arrecadou R$ 13 milhões em impostos. A situação se agravou com a expectativa da operação de videoloterias, quando Hazenclever determinou que a RioPag parasse de transferir os repasses à Loterj, solicitando a “custódia” do dinheiro sem maiores detalhes.

Após a exoneração de Cançado em março, a Loterj cobrou os valores retidos. A RioPag inicialmente não respondeu, tentou negociar parcelamento e, posteriormente, informou que o dinheiro estava investido em um fundo com resgate apenas em outubro. A Loterj, contudo, obteve uma decisão judicial para bloquear os bens da empresa e descobriu que a verba não estava no sistema bancário.

Transferência de Valores e Disputa Judicial com a Rio Pag

A RioPag realizou a transferência de R$ 16.526.712,16 para a Loterj, além de outros R$ 2 milhões já depositados, considerando a dívida paga. No entanto, a autarquia alega que a empresa ainda deve R$ 4,6 milhões. Um processo administrativo sancionatório está em curso para decidir sobre o rompimento do contrato entre a Loterj e a Rio Pag.

A Rio Pag é representada por Willer Tomaz, advogado investigado pela Polícia Federal. Tomaz também é acionista do fundo que investe na Capital Pretium SA, proprietária da Rio Pag. Ele e Hazenclever Cançado atuaram juntos como advogados em diversos processos antes da nomeação de Cançado para a Loterj.

Candidatura de Hazenclever Cançado e Indeferimento Inicial

Hazenclever Cançado recebeu R$ 300 mil do PL nacional para sua candidatura a deputado federal. No entanto, seu registro de candidatura foi inicialmente indeferido pelo TRE-RJ por falta de certidão criminal obrigatória, decisão que foi posteriormente revista. Seus pedidos para usar nomes de urna como “Chama o Clever” e “Clever” também foram rejeitados, e ele concorrerá como “Hazenclever Lopes”.

Procurados, Hazenclever Cançado e Willer Tomaz não responderam às mensagens. A Loterj confirmou a instauração da sindicância e informou que acompanha o andamento do processo, permanecendo à disposição dos órgãos competentes para prestar os devidos esclarecimentos.

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