Prédios de 20 andares em Teresópolis geram alerta ambiental do ICMBio

Teresópolis

Os prédios de 20 andares em Teresópolis entraram no centro de um debate ambiental após um parecer técnico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apontar possíveis riscos associados ao projeto de verticalização no município da Região Serrana do Rio.

O documento, elaborado em fevereiro de 2026, foi anexado a um processo judicial que questiona a Lei Complementar nº 351/2025, responsável por permitir a construção de edifícios de grande porte no bairro do Alto.

Segundo especialistas e representantes do movimento contrário ao projeto, a iniciativa pode trazer uma série de impactos ambientais e urbanos. A advogada Márcia Peixoto, que lidera o movimento “Não aos 20 Andares”, destacou que o estudo técnico detalha possíveis consequências negativas para a cidade.

“O ICMBio, por meio de sua equipe técnica, apresentou os possíveis impactos ambientais caso o empreendimento seja realizado no município. O Ministério Público Federal também se manifestou, apontando que o projeto pode representar riscos aos recursos hídricos da região”, afirmou Márcia Peixoto, em declaração ao g1.

De acordo com o ICMBio, a área prevista para os empreendimentos está localizada na zona de amortecimento do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, a cerca de 100 metros dos limites da unidade de conservação. Esse tipo de área funciona como uma faixa de proteção, onde as atividades precisam ser controladas para evitar danos ao ecossistema.

A avaliação técnica indica que a verticalização pode aumentar significativamente a densidade populacional da região, com impacto direto na infraestrutura urbana. Entre os principais pontos de atenção estão a sobrecarga nos sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário e o aumento no fluxo de veículos.

Outro fator destacado no parecer é o possível impacto visual causado pelas construções. O ICMBio aponta que edifícios mais altos podem interferir diretamente na paisagem natural da Serra dos Órgãos, considerada um dos principais cartões-postais de Teresópolis.

“Sim, a construção desses prédios deverá interferir na paisagem, causando impactos na unidade, uma vez que a beleza cênica é um dos atributos do Parque Nacional da Serra dos Órgãos”, informou o ICMBio, em nota ao g1.

O documento também ressalta que a paisagem possui valor cultural, econômico e identitário, sendo um dos pilares do turismo na região. A possível alteração desse cenário levanta preocupações não apenas ambientais, mas também econômicas.

Além das questões ambientais, o ICMBio criticou a ausência de consulta ao órgão durante a tramitação da lei municipal. Embora não haja obrigatoriedade formal, o instituto considera que sua participação seria essencial, especialmente pela proximidade da área com o parque.

A discussão já chegou à Justiça, e o parecer técnico passou a integrar o processo como elemento de análise. O documento recomenda uma avaliação mais aprofundada dos impactos antes da continuidade do projeto.

A Lei Complementar nº 351/2025 também vem sendo questionada por órgãos de controle e especialistas. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro chegou a recomendar a revogação da norma e a suspensão de licenciamentos baseados nela, apontando ausência de estudos técnicos mais completos e falhas na participação popular.

Até o momento, a Prefeitura de Teresópolis não se posicionou oficialmente sobre os pontos levantados pelo ICMBio.

E enquanto o debate avança na Justiça e nos bastidores, a decisão sobre o futuro da cidade pode redefinir o equilíbrio entre crescimento urbano e preservação ambiental.

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