Pagamento de bônus para policiais no Rio ajudou a reduzir criminalidade

policiais no Rio

O pagamento de bônus para policiais no Rio esteve associado à redução de índices de criminalidade, segundo um estudo recente que analisou uma política pública aplicada entre 2009 e 2015. A pesquisa avaliou os efeitos de incentivos financeiros vinculados ao cumprimento de metas de segurança.

De acordo com o levantamento, policiais militares e civis recebiam bônus semestrais quando conseguiam atingir objetivos relacionados à diminuição de mortes violentas, roubos de veículos e roubos de rua. Os valores pagos variavam ao longo do período e podiam chegar a cifras consideradas significativas para a categoria.

A análise apontou que, nos momentos em que as metas ainda eram alcançáveis, houve queda nos registros desses crimes. Os dados indicam reduções médias de 6,9% nas mortes violentas, 6,3% nos roubos de veículos e 8,5% nos roubos de rua, em comparação com os períodos sem estímulo.

“Era um dinheiro bem importante. Para um coronel, talvez menos do salário de um mês. Mas, para um policial militar [de menor patente], o salário de alguns meses”, afirmou Sandro Cabral, professor do Insper e autor principal do estudo, em entrevista à DW.

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores compararam áreas que ainda tinham possibilidade de alcançar as metas e receber o bônus com regiões que já não tinham mais chance de atingir os objetivos naquele semestre. A diferença no desempenho entre esses grupos foi determinante para a conclusão do estudo.

Além da redução nos crimes diretamente monitorados, o levantamento também identificou efeitos indiretos, como a queda em ocorrências não incluídas nas metas, como tentativas de homicídio e roubos de carga e residência. Isso indicaria um esforço maior das equipes durante os períodos de incentivo.

Outro ponto observado foi o aumento da integração entre as polícias militar e civil. A necessidade de alcançar resultados em conjunto incentivou maior comunicação entre os agentes, inclusive com ações coordenadas e acompanhamento coletivo das metas.

Apesar dos resultados positivos, o estudo também levanta questionamentos. Há indícios de possível reclassificação de ocorrências, especialmente em casos de roubo de rua, além de preocupações sobre a sustentabilidade financeira do programa ao longo do tempo.

A política foi implementada em um período de crescimento econômico e acabou sendo descontinuada após a crise financeira enfrentada pelo estado. Ainda assim, especialistas destacam que incentivos desse tipo podem funcionar como ferramenta de engajamento, desde que bem planejados e compatíveis com o orçamento público.

Outros estados brasileiros também adotaram estratégias semelhantes, com programas baseados em metas e recompensas financeiras, ainda que com valores diferentes dos praticados no Rio.

O estudo reforça que o uso de metas, acompanhamento de desempenho e incentivos — financeiros ou não — pode influenciar diretamente a atuação das forças de segurança e os resultados nas ruas.

E diante dos dados apresentados, a discussão agora ganha força: qual modelo de incentivo realmente pode transformar a segurança pública no Rio?

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