Agentes da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) apreenderam 28 aparelhos celulares e cerca de um quilo de drogas durante uma grande vistoria realizada na quarta-feira em quatro presídios do Rio de Janeiro. A ação tem como foco cortar a comunicação de criminosos encarcerados com o lado de fora.
As apreensões fazem parte da Operação Illicitus, que realiza revistas periódicas e surpresa dentro das cadeias fluminenses. Desta vez, as equipes percorreram unidades na Zona Oeste da capital, na Baixada Fluminense e no Leste Fluminense. O objetivo central é desarticular as ordens que saem de dentro dos presídios para as ruas.
Seppen realiza devassa para sufocar o crime organizado nas cadeias
As vistorias de quarta-feira se concentraram no Presídio Romeiro Neto, localizado no município de Magé; no Instituto Penal Edgar Costa, em Niterói; na Penitenciária Feminina Talavera Bruce, em Bangu; e no Presídio Nelson Hungria, situado dentro do Complexo de Gericinó, também na Zona Oeste do Rio. Todas essas unidades passaram por varreduras minuciosas nas celas, pátios e galerias.
Segundo a Seppen, os trabalhos unem forças da Subsecretaria Operacional, da Subsecretaria de Inteligência e da Corregedoria-Geral da instituição. A intenção é monitorar e punir não apenas os detentos que custodeiam os materiais proibidos, mas também qualquer pessoa que facilite o acesso desses itens para o interior do sistema prisional do estado.
Desde o lançamento oficial da Operação Illicitus, no mês de agosto deste ano, o balanço da Polícia Penal aponta números expressivos. Já foram recolhidos mais de 700 telefones celulares e aproximadamente nove quilos de entorpecentes variados. A fiscalização ostensiva tem buscado fechar as brechas de entrada nas portas de acesso e nas visitas.
Quem responde pelas investigações e como funcionam as revistas
A responsabilidade pelas operações e pela apuração de irregularidades dentro do sistema penitenciário é da Secretaria de Estado de Polícia Penal, por meio de seus setores de inteligência e da Corregedoria-Geral. Quando algum material ilícito é encontrado com detentos ou quando há suspeita de facilitação, processos administrativos disciplinares são abertos imediatamente.
A Seppen informou que utiliza aparelhos modernos de scanner corporal para revistar visitantes nos dias de visitação social. Essa tecnologia ajudou a prender, desde agosto, 12 pessoas que tentavam entrar com drogas ou celulares escondidos no corpo. Além das visitas, dois policiais penais foram flagrados cometendo irregularidades e acabaram autuados nas ações recentes.
O que muda para quem mora no Rio e na Baixada Fluminense
Para quem pega ônibus diariamente, mora perto de comunidades ou trabalha em áreas afetadas pela violência, o controle rigoroso dentro das cadeias tem impacto direto no dia a dia. A circulação de celulares no sistema prisional permite que chefes de facções continuem ordenando roubos de veículos, cobrança de taxas extorsivas e confrontos entre grupos rivais nas ruas.
Quando a Polícia Penal apreende esses aparelhos e impede a entrada de novos insumos, a capacidade de organização das quadrilhas é reduzida. O reflexo esperado pelas autoridades de segurança pública é a diminuição de ordens para ataques e crimes violentos no trânsito e nos bairros populares da Região Metropolitana.
Como denunciar irregularidades e entregas clandestinas
A participação da população é um instrumento fundamental para combate a ilícitos, inclusive para denunciar esquemas de arremesso de drogas e celulares sobre os muros dos presídios ou cumplicidade de pessoas externas. A população pode repassar informações de forma totalmente anônima e segura a qualquer hora do dia.
O Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pelo telefone (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas. É possível registrar a informação pelo aplicativo do serviço ou pelo site oficial. Caso o cidadão presencie movimentações suspeitas no entorno de presídios como Gericinó ou Romeiro Neto, também pode acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 para averiguação imediata.
O que se sabe sobre os próximos passos da operação
A Secretaria de Polícia Penal afirmou que as ações da Operação Illicitus continuarão ocorrendo de forma contínua e sem aviso prévio em todas as unidades do estado do Rio de Janeiro. Não há data para o encerramento dos trabalhos, pois a determinação é manter o cerco fechado contra a entrada de artigos proibidos nas galerias.
Os materiais recolhidos na quarta-feira foram encaminhados para o registro de ocorrência nas delegacias da Polícia Civil correspondentes a cada região das apreensões. Os aparelhos eletrônicos passarão por perícia técnica para identificar a linha telefônica, os contatos e os dados que possam auxiliar em novas investigações de combate ao crime organizado.















