A Polícia Civil investiga a morte de Jéssica Duarte Gonçalves, de 28 anos, ocorrida após dar à luz no Hospital Maternidade Mariska Ribeiro, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A família denuncia negligência e afirma que material pode ter sido esquecido no corpo da jovem.
Suspeita de negligência médica mobiliza investigação policial em Bangu
Jéssica deu entrada na maternidade municipal de Bangu por volta das 4h do dia 8 de setembro, com fortes contrações. Mesmo pedindo para realizar uma cirurgia cesariana, o parto normal foi mantido pela equipe de plantão, e o bebê nasceu saudável na tarde do mesmo dia.
Logo após o nascimento da filha, a jovem passou a relatar dores intensas na região do abdômen. Segundo relatos do marido, Jhonatan Vieira de Moura, de 30 anos, um profissional de plantão tentou retirar coágulos do corpo de Jéssica manualmente durante a noite, mas as dores persistiram de forma contínua.
A família afirma que questionou a equipe médica diversas vezes sobre o sofrimento da paciente. Como resposta, parentes ouviram que o quadro era provocado por gases e que a medicação disponível no momento era apenas dipirona. A jovem recebeu alta médica no dia 10 de setembro, mesmo ainda se queixando de dores fortes.
Transferência de emergência e cirurgia em Realengo
Horas após voltar para casa, o estado de saúde de Jéssica se agravou rapidamente, obrigando a família a levá-la de volta ao Hospital Maternidade Mariska Ribeiro. Diante da piora do quadro, ela precisou ser intubada na própria unidade e transferida para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo.
No hospital de Realengo, os médicos constataram um quadro de infecção generalizada, conhecida como sepse, e submeteram Jéssica a uma cirurgia de emergência. Durante o procedimento cirúrgico, os profissionais teriam identificado um corpo estranho deixado no organismo da jovem após o parto, o que causou necrose em órgãos internos.
A sogra de Jéssica, Andrea Cristina Vieira, de 49 anos, relatou que a família cobrou esclarecimentos sobre os exames e sobre o destino da placenta antes da alta inicial, mas não obteve respostas claras da direção do hospital de Bangu. O corpo foi encaminhado para perícia técnica a fim de determinar a causa exata do óbito.
Quem responde pelo caso e andamento do procedimento
A apuração criminal do caso está sob responsabilidade da 34ª DP (Bangu). Os policiais civis solicitaram laudos periciais e vão intimar médicos, enfermeiros e funcionários que prestaram atendimento à jovem no Hospital Maternidade Mariska Ribeiro para prestarem depoimento nas próximas semanas.
As investigações buscam esclarecer se houve erro médico, imperícia ou omissão de socorro por parte da equipe do hospital municipal. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) deve apontar com precisão quais materiais ou lesões provocaram a infecção generalizada.
Como denunciar casos de violência obstétrica e maus-tratos
Moradores que enfrentarem problemas de atendimento, negligência ou violência obstétrica na rede pública de saúde do Rio de Janeiro podem registrar reclamações formais nos canais oficiais de fiscalização. A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro possui núcleos especializados para atendimento gratuito às famílias afetadas.
- Ouvidoria Geral do Município do Rio: Atendimento pelo telefone 1746 ou pelo portal 1746.rio.gov.br.
- Disque Denúncia: Ligue para o número (21) 2253-1177, com atendimento anônimo garantido 24 horas por dia.
- NUDEM (Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública): Atendimento presencial ou pelo telefone 129 para orientação jurídica gratuita.
- Conselho Regional de Medicina (CREMERJ): Denúncias de conduta ética profissional podem ser feitas no site oficial cremerj.org.br.
O que fazer em caso de suspeita de erro médico
Quando a família suspeitar de irregularidades no atendimento prestado em hospitais públicos ou privados, é fundamental adotar providências imediatas para garantir a apuração adequada dos fatos pelas autoridades competentes.
O primeiro passo é solicitar a cópia integral do prontuário médico junto à administração do hospital onde o paciente foi atendido. A unidade é obrigada a fornecer a documentação completa, contendo exames, prescrições de medicamentos e relatos das equipes de enfermagem e medicina.
Em seguida, os familiares devem procurar a delegacia de Polícia Civil mais próxima para registrar o Boletim de Ocorrência. Em casos de morte, o exame de necropsia no IML é essencial para produzir as provas periciais necessárias que instruirão o processo criminal e cível.
Como fica a rotina da família e o apoio à criança
Com a perda da mãe recém-nascida, a recém-nascida segue sob os cuidados do pai e da avó paterna no bairro de Bangu. A família aguarda a conclusão do laudo pericial para tomar as medidas judiciais cabíveis contra o município do Rio de Janeiro e os profissionais envolvidos no atendimento.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro ainda não divulgou o resultado de sindicâncias internas para apurar as condutas das equipes do Hospital Maternidade Mariska Ribeiro. O caso segue sob investigação rigorosa pela 34ª DP.















