A Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou, na manhã desta quarta-feira (16), um cemitério clandestino usado por traficantes no Morro da Caixa D’Água, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O local, conhecido como Vila Pauline, fica em uma área de domínio do tráfico e, segundo as investigações, seria utilizado para ocultar corpos de vítimas de facções criminosas.
Durante a operação, ossadas humanas foram encontradas enterradas em diferentes pontos do morro. Equipes da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros atuaram em conjunto, com o apoio de cães farejadores e retroescavadeiras, para localizar e remover o material do solo.
Ação conjunta e denúncias anônimas
As buscas foram iniciadas após denúncias anônimas encaminhadas às autoridades. A partir dessas informações, os agentes organizaram uma operação coordenada para realizar escavações na área. A movimentação começou por volta das 11h da manhã, com a marcação dos pontos onde foram encontradas as ossadas.
A cena chocou moradores da região, que acompanharam de longe a ação policial. As ossadas estavam em diferentes estágios de decomposição, indicando que os corpos podem ter sido enterrados em momentos distintos. Todo o material recolhido será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por análise forense e identificação das vítimas.
Região sob domínio do Comando Vermelho
De acordo com a polícia, a área onde o cemitério foi encontrado é controlada por traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho. O ponto específico da Vila Pauline, no Morro da Caixa D’Água, estaria sob o comando de um criminoso conhecido como Popeye, que figura entre os mais perigosos da região.
A suspeita é de que o cemitério tenha sido utilizado para enterrar rivais da facção, possivelmente após execuções sumárias. Essa prática é comum em zonas de conflito entre grupos criminosos, que buscam eliminar vestígios de seus crimes e evitar o envolvimento de autoridades.
Etapas da investigação
A operação não teve confrontos e segue em andamento visando localizar novas covas e possíveis restos mortais. A perícia técnica também investiga se o local já foi utilizado anteriormente em outros crimes. Um mapeamento da área está sendo feito para cruzamento de dados com registros de desaparecidos na região nos últimos anos.
As autoridades esperam que a análise das ossadas ajude a esclarecer casos de desaparecimento não solucionados e a confirmar a identidade de vítimas cujos corpos nunca foram encontrados.
A polícia também trabalha para reunir provas materiais contra os suspeitos de liderar as ações criminosas. Com base nos laudos, imagens e depoimentos de testemunhas, é possível que novas prisões ocorram nos próximos dias.
Repercussão e insegurança na comunidade
A descoberta do cemitério clandestino em Belford Roxo causou grande repercussão entre os moradores locais e autoridades da segurança pública. A cidade, uma das mais violentas da Baixada Fluminense, frequentemente aparece nos noticiários por casos de desaparecimento e conflitos armados entre facções.
Para os especialistas em segurança, a presença de cemitérios clandestinos revela o nível de organização e brutalidade dos grupos criminosos, que agem com total controle territorial e operam fora da lei com pouca resistência.
Moradores relataram medo e silêncio. Muitos evitam comentar publicamente sobre a atuação do tráfico por temer represálias. “A gente sabe que essas coisas acontecem aqui, mas ninguém fala. Só resta torcer para não estar no lugar errado na hora errada”, disse um morador da Vila Pauline, que preferiu não se identificar.
Cães farejadores e tecnologia na operação
Um dos diferenciais da operação foi o uso de cães farejadores treinados para encontrar restos humanos, além de equipamentos de escavação. Os cães percorreram a mata fechada ao redor da área mapeada pelas denúncias e ajudaram a localizar pontos onde o solo estava recentemente remexido.
Esse tipo de abordagem tem se tornado mais comum em ações do tipo, já que muitos cemitérios clandestinos estão escondidos em áreas de difícil acesso, normalmente dentro de comunidades ou terrenos de mata fechada, dificultando o trabalho dos investigadores.














