Polícia Civil mira milícia em Nova Iguaçu por extorsão de gelo e água

A Polícia Civil realiza uma operação na manhã desta terça-feira contra a milícia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão contra extorsões a comerciantes e moradores de quatro bairros.

Esquema forçava compra de mercadorias e cobrava taxas em Nova Iguaçu

A investigação é conduzida pela 52ª Delegacia Policial (Nova Iguaçu), com apoio da 3ª Promotoria de Investigação Penal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O foco da ação atinge o grupo paramilitar chefiado por Gilson Ingrácio de Souza Júnior, conhecido como Juninho Varão. Os policiais foram até imóveis e estabelecimentos nos bairros Valverde, Jardim Alvorada, Jardim Jasmim e Jardim Pernambuco.

Segundo a apuração policial, os criminosos impõem a chamada taxa de segurança sobre pequenos negócios e moradores de condomínios residenciais. Além da cobrança em dinheiro vivo ou transferências bancárias, o grupo obriga os comerciantes a comprar galões de água mineral e sacos de gelo exclusivamente de empresas ligadas à quadrilha. Uma fábrica de gelo e um galpão de distribuição de água figuram entre os locais revistados pelas equipes.

As quebras de sigilo bancário apontaram movimentações financeiras incompatíveis com os ganhos declarados dos investigados. Em apenas seis meses, uma única conta bancária movimentou perto de R$ 373 mil em valores fracionados, pagos por comércios locais. O titular dessa conta recebia paralelamente parcelas de seguro-desemprego de cerca de R$ 2,1 mil, segundo o relatório da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

O que já se sabe sobre o esquema financeiro

Os investigadores identificaram que pelo menos R$ 43 mil transitaram em 96 operações bancárias diretas para uma distribuidora de água investigada. Por determinação da Justiça fluminense, as contas e os bens ligados ao núcleo financeiro do grupo tiveram o bloqueio decretado nesta manhã. A medida tenta cortar o fluxo de caixa que financia armas e a expansão do bando na Baixada.

Esta não é a primeira ofensiva recente na área. No último dia 14, agentes já haviam atuado contra o mesmo bando para quebrar o domínio sobre o Condomínio Jardim Guandu, também em Nova Iguaçu. A polícia segue apurando a participação de agentes públicos e intermediários que ajudam a coagir comerciantes nas áreas periféricas do município.

Como fica a rotina nos bairros de Nova Iguaçu

A movimentação das viaturas chamou a atenção dos pedestres no início da manhã, mas as vias principais operam sem bloqueios no trânsito. O transporte público municipal, incluindo as linhas que atendem os bairros Valverde e Jardim Alvorada, opera dentro dos horários regulares nesta terça-feira.

Escolas e postos de saúde da região mantiveram o funcionamento habitual, segundo relatos de moradores. O comércio de rua abriu as portas, ainda sob a vigilância das equipes policiais, enquanto donos de pequenos mercados e bares acompanham o desenrolar das apreensões de documentos e maquinários.

Como denunciar ações da milícia

Quem vive sob pressão de cobranças ilegais ou extorsões pode registrar denúncias de forma totalmente anônima junto às autoridades do estado. As informações ajudam os investigadores a mapear rotas, nomes de cobradores e locais usados para estocar mercadorias ilegais.

  • Disque Denúncia do Rio: Ligue para o telefone (21) 2253-1177. O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, sem necessidade de se identificar.
  • WhatsApp do Disque Denúncia: As mensagens podem ser enviadas para o número (21) 2253-1177 com fotos ou endereços suspeitos.
  • Atendimento presencial: A 52ª Delegacia Policial fica na Rua Bernardino de Melo, número 1.250, no Centro de Nova Iguaçu, onde ocorrências e depoimentos podem ser registrados sob sigilo.

O que fazer se você foi vítima de extorsão

Comerciantes que foram coagidos a adquirir produtos de fornecedores indicados ou a pagar taxas ilegais não devem confrontar os cobradores no momento da abordagem. A orientação dos órgãos de segurança pública é procurar auxílio formal para que o prejuízo financeiro seja anexado aos inquéritos em andamento.

A vítima pode procurar diretamente a sede da 52ª DP ou acessar a Delegacia Online da Polícia Civil do Rio para preencher o registro prévio. Guarde sempre comprovantes de pagamento, transferências bancárias via Pix ou ordens de pagamento que tenham sido forçadas pela quadrilha, pois esses comprovantes servem como provas materiais para rastrear as contas dos criminosos.

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