Polícia aponta que encontro entre CV e Celsinho da Vila Vintém gerou app ilegal na Vila Kennedy

Celsinho da Vila Vintém foi preso

Um encontro entre CV e Celsinho da Vila Vintém resultou na criação de um aplicativo ilegal de transporte usado para controlar mototaxistas e arrecadar recursos para o crime organizado na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio. A investigação da Polícia Civil aponta que a reunião estratégica, realizada no início deste ano, uniu líderes das facções Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos (ADA) para ampliar o domínio territorial e fortalecer o tráfico.

Segundo a 34ª DP (Bangu), a videoconferência contou com Edgar Alves de Andrade, o Doca, integrante da cúpula do CV, e Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, chefe da ADA. A autorização para o uso do aplicativo entre mototaxistas partiu de Jorge Alexandre Cândido Maria, o Sombra, líder do CV na Vila Kennedy. Pelo acordo, territórios da ADA, como Vila Vintém e Vila Sapê, seriam usados pelo CV para expandir operações, em troca de reforço armado e participação nos lucros ilícitos.

O sistema funcionou por cerca de três meses, com cerca de 300 mototaxistas coagidos a utilizá-lo exclusivamente. Plataformas oficiais como Uber e 99 eram proibidas, e o pagamento das corridas era feito via Pix, com repasse de até 30% para a facção.

A Operação Rota das Sombras cumpriu sete mandados de prisão e 12 de busca e apreensão, resultando na prisão de quatro pessoas, entre empresários e desenvolvedores. Foram apreendidos R$ 300 mil, joias e carros de luxo. Celsinho, que havia deixado a prisão em 2022 após cumprir 25 anos, voltou a ser preso, enquanto Doca segue foragido.

De acordo com o delegado Alexandre Netto, o esquema ia além da questão financeira: O nome da operação Rota das Sombras reflete que não se trata apenas de uma questão financeira, mas de um controle da mobilidade urbana, definindo quem pode entrar e sair e para onde.

O aplicativo foi retirado das lojas Google Play e Apple Store, encerrando oficialmente seu funcionamento.

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