PM não atendeu mais de 50 pedidos da Prefeitura para demolir construções irregulares na Rocinha
A recente divulgação de um imóvel em construção na Rocinha, anunciado por quase R$ 1 milhão com a promessa de investimento para quitinetes, trouxe à tona um problema crônico na favela: a dificuldade do poder público em lidar com edificações clandestinas. Documentos obtidos pelo DIÁRIO DO RIO revelam que a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) enviou 51 ofícios à Polícia Militar entre 2022 e 2023, solicitando apoio para operações de demolição de construções irregulares na Rocinha. Contudo, as ações não foram realizadas.
Os ofícios, direcionados ao comando responsável pelo policiamento na área, tinham como objetivo garantir a segurança das equipes municipais durante as demolições. O levantamento sobre a falta de ação policial ganha destaque após a notícia do imóvel anunciado nas redes sociais, que gerou grande repercussão.
O caso ganhou projeção nacional após um vídeo de um influencer exibir o imóvel, descrito como o maior da Rocinha, com 400 metros quadrados distribuídos em três andares. Essa situação expõe a fragilidade do controle urbano e a influência do mercado imobiliário ilegal dentro da comunidade.
Crise de Autoridade e o Papel das Facções Criminosas
Flávio Valle, ex-subprefeito da Zona Sul e vereador, lamenta a perda de autoridade do poder público no controle de construções. Ele relembra que, em tempos passados, a Prefeitura possuía programas como o Pouso, que contava com arquitetos e engenheiros para orientar e fiscalizar o crescimento urbano nas comunidades.
“O poder público perdeu completamente a autoridade para controlar até o que pode ser construído e o que não pode”, afirmou Valle. Ele explica que, com a descoberta de oportunidades de negócio no mercado imobiliário ilegal por facções criminosas, e a ausência de apoio policial, a Prefeitura foi gradualmente afastada dessas áreas, interrompendo um trabalho crucial de contenção do crescimento desordenado.
Seop Promete Fiscalização e Dados de Demolições
Em resposta à polêmica, a Secretaria Municipal de Ordem Pública informou que enviará agentes da Coordenadoria Técnica de Operações Especiais para fiscalizar o imóvel em questão. Caso sejam constatadas irregularidades, as medidas administrativas cabíveis serão tomadas. A Seop também divulgou dados relevantes sobre o combate a construções ilegais na cidade.
Desde 2021, a Prefeitura do Rio de Janeiro já demoliu mais de 6.500 construções ilegais em toda a cidade. Essa ação resultou em um prejuízo estimado de cerca de R$ 1,1 bilhão para os infratores, demonstrando o impacto financeiro das irregularidades urbanas.
Silêncio da Polícia Militar
O DIÁRIO DO RIO buscou o posicionamento da Polícia Militar sobre os 51 ofícios de solicitação de apoio que não foram atendidos pela Seop. Perguntou-se sobre os motivos para a não realização das operações e se existe um protocolo específico para atender a tais requisições. A corporação também foi questionada sobre eventuais ações relacionadas ao imóvel divulgado nas redes sociais.
Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Militar não apresentou resposta às indagações do veículo de comunicação, deixando em aberto as razões para a omissão nas operações de demolição na Rocinha e a falta de um posicionamento oficial sobre o caso.














