Pirâmide com criptomoedas é desmantelada após compra de 130 imóveis

Dólares e relógios

A Polícia Federal desmantelou nesta semana um esquema de pirâmide com criptomoedas que lavou dinheiro por meio da aquisição de mais de 130 imóveis no estado do Rio de Janeiro. A operação batizada de Fantasos identificou que o responsável pelo golpe é o brasileiro Douver Torres Braga, de 48 anos, preso na Suíça pela Interpol e atualmente detido nos Estados Unidos, onde também responde por crimes financeiros.

Douver se apresentava como “construtor de sonhos” e misturava discursos de autoajuda com promessas de enriquecimento rápido. A frase “Eu posso e vou transformar a minha vida, eu vou ser o futuro milionário” era repetida por multidões em eventos organizados por ele, que mesclavam o fervor religioso com técnicas de convencimento típicas de animadores de auditório.

Segundo as investigações, a pirâmide com criptomoedas lesou mais de 100 mil pessoas no Brasil e nos Estados Unidos. No país, a quadrilha atuava principalmente no Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo. No estado do Rio, a PF identificou atuação em Petrópolis e Angra dos Reis. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Douver e seus associados.

Durante a operação, os agentes apreenderam carros de luxo como um Porsche, um BMW e um Mercedes-Benz avaliado em R$ 1 milhão, além de uma embarcação, relógios caros e quantias em dinheiro ainda não contabilizadas. Douver seria proprietário do Feirão das Malhas, em Duque de Caxias, e de um shopping em Itaipava, usados como fachada para ocultação de bens.

A Justiça Federal determinou o bloqueio de bens até o limite de R$ 1,6 bilhão, valor estimado como o total desviado dos investidores enganados com a falsa promessa de rentabilidade de até 11% ao mês em Bitcoin. Segundo a PF, o grupo chegou a criar sua própria moeda digital, a “Tcoin”, usada para substituir os pagamentos prometidos em Bitcoin. A Tcoin, sem valor real, era oferecida no momento dos saques, frustrando os investidores.

A investigação também conta com a cooperação de agências americanas como o FBI, o HSI (Homeland Security Investigations) e o IRS-CI (Internal Revenue Service Criminal Investigation). Essas instituições participaram das buscas para reforçar a coleta de provas, rastrear bens ocultos e identificar novos envolvidos no esquema de pirâmide com criptomoedas.

A história de Douver com esquemas fraudulentos não é recente. Ele já havia sido condenado nos EUA por liderar a empresa Trade Coin Club (TCC), responsável por captar mais de 82 mil unidades de Bitcoin entre 2016 e 2018, equivalente a aproximadamente US$ 295 milhões. Após a condenação, fugiu para o Brasil e passou a repetir o mesmo golpe com novas empresas e frentes.

Segundo a Polícia Federal, no Brasil, Douver constituiu empresas de fachada em nome de laranjas e fez parcerias com empresários para adquirir bens de alto valor. Com o avanço das investigações, os investigadores esperam rastrear ainda mais ativos e concluir a extensão total do prejuízo causado.

O nome da operação faz referência a “Fantasos”, figura da mitologia grega que representa sonhos ilusórios. “Em suas apresentações, Douver dizia construir sonhos, mas o que oferecia era uma ilusão planejada para lesar milhares de pessoas”, afirmou um agente da PF envolvido na investigação.

O caso reforça o alerta das autoridades sobre esquemas de pirâmide disfarçados de investimentos em criptomoedas. A PF orienta que o público desconfie de promessas de ganhos rápidos e altos rendimentos garantidos, e verifique sempre se a empresa ou plataforma possui autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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