Um piloto de 35 anos que decolou do Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, com destino a Varginha, em Minas Gerais, ouviu uma provocação na frequência de rádio ao questionar uma mudança de rota. O caso aconteceu durante a comunicação com o controle de tráfego aéreo, quando uma voz não identificada debochou da tentativa do comandante de reavaliar o trajeto estabelecido.
O episódio ocorreu no dia 4 de setembro e envolveu a aeronave comandada pelo piloto Pedro Costa, que voava acompanhado do copiloto e de um passageiro. A discussão começou quando o controle aéreo solicitou que o avião fizesse um desvio no setor correspondente ao ponto conhecido como Multica, mudança que aumentaria o tempo e a distância da viagem.
Entenda a discussão sobre a rota no espaço aéreo do Rio
Durante a transmissão via rádio, o comandante questionou a necessidade do desvio, alegando que o ponto indicado ficava muito fora do trajeto original. A controladora de voo que atendia a chamada explicou que a alteração era necessária para garantir a distância de segurança de outros aviões que realizavam o procedimento de descida para o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Ilha do Governador.
Mesmo compreendendo a justificativa, o piloto argumentou que existiriam alternativas de rotas capazes de evitar o conflito com os aviões do Galeão sem esticar tanto o percurso. A profissional pediu que o comandante aguardasse na frequência enquanto checava uma nova opção. Foi nesse intervalo que um terceiro operador entrou na rádio e disparou a frase: “Você não manda nem em casa, quer mandar aqui?”.
O impacto do desvio de rota na segurança do voo
O comandante explicou que o voo já havia saído do Aeroporto de Jacarepaguá com alterações no plano inicial por causa de uma área militar restrita que estava ativa no momento. A nova mudança solicitada no ar faria a aeronave voar temporariamente na direção contrária ao seu destino final, no Sul de Minas Gerais.
Segundo o profissional, o aumento de distância na aviação não é apenas uma questão de pontualidade. Cada milha extra adicionada no ar altera o consumo de combustível e reduz a margem de tempo de voo projetada na preparação do avião antes da decolagem. Por isso, contestar um desvio grande faz parte do dever do comandante para manter a margem de segurança da viagem.
Profissionalismo na cabine e linguagem na aviação
Apesar da provocação, o piloto fez questão de pontuar que a conduta da controladora que o atendia foi totalmente correta. Ele ressaltou que a servidora agiu de forma cordial, explicando com clareza a necessidade da reorganização do fluxo de aviões na região metropolitana do Rio de Janeiro.
No entanto, sobre a interferência irônica na frequência, o comandante destacou que a comunicação na aviação civil deve seguir padrões rígidos de clareza, objetividade e foco exclusivo na operação. A inclusão de brincadeiras ou comentários pessoais no rádio pode atrapalhar a leitura do cenário e gerar distrações desnecessárias durante momentos críticos de voo.
O que dizem as normas da aviação sobre o uso do rádio
A comunicação entre pilotos e órgãos de controle no Brasil é regulada por diretrizes do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, órgão vinculado à Força Aérea Brasileira. As regras determinam que as frequências de rádio devem ser mantidas limpas e utilizadas apenas para transmissões operacionais oficiais, utilizando fraseologia padronizada em português ou inglês.
O uso inadequado dos canais VHF pode resultar em apurações administrativas para identificar o autor da transmissão indevida. Quando falhas de comunicação ou desentendimentos acontecem na frequência, o caso pode ser registrado em relatórios de prevenção para que os órgãos competentes avaliem a conduta dos envolvidos e façam os ajustes necessários na rotina dos centros de controle.
Como funciona a fiscalização do espaço aéreo brasileiro
O controle do tráfego de aviões no estado do Rio de Janeiro fica a cargo de unidades operacionais subordinadas ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo. Qualquer passageiro ou piloto que identificar irregularidades graves na prestação do serviço ou no comportamento das equipes no ar pode acionar os canais oficiais de ouvidoria.
- Órgão responsável: Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).
- Atendimento ao usuário: Canal de Ouvidoria no portal oficial do DECEA (decea.mil.br).
- Regulação da aviação civil: Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), pelo telefone 163 ou site anac.gov.br.
- Registro de ocorrências: Relatórios de Prevenção (RPA) enviados ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).
O áudio do momento da discussão passou a circular em canais especializados em aviação e gerou debates sobre a postura de operadores e a rotina de trabalho nos centros de controle do país. O episódio reforça a necessidade de manter a disciplina nas comunicações aeronáuticas para evitar falhas que possam comprometer a rotina dos voos na região.
Foto: Metropoles















