A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Ricardo Abrão (PSDB) na manhã desta terça-feira (3), em Nilópolis, Baixada Fluminense. A ação apura um esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024.
Além do mandado de busca domiciliar e pessoal, a Justiça Federal determinou o afastamento do sigilo de dados de equipamentos eletrônicos do parlamentar. A Polícia Federal informou que o objetivo principal da ação de hoje é reprimir a corrupção eleitoral e aprofundar as apurações sobre a rede de favorecimento na região.
Polícia Federal investiga esquema de compra de votos em Nilópolis
A investigação contra o grupo político não começou agora. Os agentes da Polícia Federal deram início às apurações no período eleitoral de outubro de 2024, quando uma ação emergencial resultou na prisão em flagrante de 24 pessoas na Baixada Fluminense. Na ocasião, 15 dos suspeitos foram pegos carregando maços de dinheiro em espécie e listas com nomes de eleitores.
Segundo os dados levantados pelos investigadores, o dinheiro apreendido seria utilizado para pagar os eleitores cadastrados nas listas em troca do voto nas urnas. O esquema operava de forma organizada para tentar garantir resultados favoráveis a candidatos apoiados pelo grupo na cidade. A apuração aponta que o montante financeiro apreendido no dia do pleito reforçou a suspeita de crime eleitoral continuado.
Para quem mora em Nilópolis e precisa diariamente dos serviços públicos, como postos de saúde e escolas do município, o caso gera indignação. A prática da compra de votos retira da população a chance de cobrar melhorias reais no transporte, no saneamento e na infraestrutura dos bairros, pois troca o direito ao voto por vantagens temporárias e ilegais oferecidas por grupos políticos encastelados no poder local.
Como funcionava o esquema investigado pela Polícia Federal?
De acordo com a Polícia Federal, as investigações revelaram a existência de um complexo esquema de corrupção eleitoral na Baixada Fluminense. Além do pagamento direto aos eleitores com maços de dinheiro em espécie, a organização utilizava candidaturas laranjas para desviar recursos e mascarar a movimentação financeira das campanhas. A estratégia visava burlar a fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e da Justiça Eleitoral.
O levantamento dos agentes indica também o envolvimento direto de servidores públicos locais e políticos da região na articulação do esquema. Funcionários de órgãos municipais teriam sido usados para recrutar eleitores, organizar o repasse de quantias e garantir o funcionamento da estrutura ilícita durante o período de votação. A apuração tenta mapear a origem de todo o dinheiro vivo apreendido nas ações da PF.
Qual foi o desdobramento das fases anteriores da Operação Astreia?
A ação desta terça-feira é um desdobramento direto da Operação Astreia, deflagrada em fevereiro de 2025 pela Polícia Federal. Naquele momento, o alvo principal das buscas foi o prefeito de Nilópolis, Abraão David Neto, conhecido popularmente como Abraãozinho (PL). Os agentes federais cumpriram mandados em diversos endereços ligados à administração municipal e ao grupo político que comanda o município da Baixada Fluminense há décadas.
Durante as buscas realizadas na fase anterior, os policiais federais apreenderam um veículo de colecionador na residência do procurador-geral da Câmara Municipal de Nilópolis. O documento e os bens retidos na ocasião ajudaram os peritos da instituição a rastrear novos laços financeiros entre gestores públicos, parlamentares e intermediários do esquema de corrupção. A Polícia Federal manteve o sigilo das investigações para avançar sobre os líderes políticos do grupo.
Como fica a região e o funcionamento dos serviços em Nilópolis?
Mesmo com a movimentação intensa de viaturas da Polícia Federal em ruas centrais e bairros de Nilópolis desde as primeiras horas da manhã, os serviços essenciais da cidade seguem funcionando sem paralisação. As escolas municipais, creches, postos de saúde e as linhas de ônibus intermunicipais operam na rotina normal de atendimento à população. A prefeitura e a Câmara Municipal não decretaram ponto facultativo.
A presença dos agentes federais nos endereços investigados mobilizou os moradores, que acompanharam de perto o cumprimento das ordens judiciais. A Polícia Federal continuará analisando os aparelhos celulares e computadores apreendidos com o deputado federal Ricardo Abrão para verificar a necessidade de novas fases da operação na Baixada Fluminense nos próximos dias. Até o momento, a defesa dos citados não se pronunciou oficialmente.
Como denunciar compra de votos e crimes eleitorais no Rio de Janeiro?
A população do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense pode colaborar de forma totalmente anônima com o combate à corrupção e ao crime eleitoral. Caso o cidadão presencie oferta de dinheiro, cestas básicas, empregos ou facilidades em troca de voto, é possível fazer o registro da denúncia diretamente nos canais oficiais de fiscalização mantidos pelos órgãos de segurança pública e pela Justiça Eleitoral.
O Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pelo telefone 2253-1177, com serviço disponível 24 horas por dia e garantia absoluta de sigilo para o denunciante. Além da central telefônica, o cidadão pode utilizar o aplicativo Pardal, desenvolvido pela Justiça Eleitoral para celulares, onde é possível enviar fotos, vídeos e localização exata de irregularidades cometidas por candidatos ou cabos eleitorais em qualquer município do estado do Rio.















