PF apreende R$ 600 mil em mochila durante ação em Niterói

A Polícia Federal apreendeu R$ 600 mil em espécie dentro de uma mochila com uma mulher no bairro de Piratininga, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. A abordagem aconteceu na tarde da última segunda-feira e faz parte de uma investigação sobre compra de votos e crimes eleitorais na região.

A ação foi realizada após um trabalho contínuo de inteligência e troca de informações entre os agentes. Além do dinheiro vivo, que estava organizado em maços de notas, os policiais apreenderam documentos importantes e planilhas com anotações, que agora passam por perícia para identificar o destino dos recursos.

Polícia Federal investiga esquema de compra de votos em Niterói

Segundo a Polícia Federal, a suspeita foi abordada no momento em que transportava a quantia pelo bairro da Zona Sul de Niterói. O volume de dinheiro e a presença de tabelas com nomes e valores levantaram a suspeita imediata de uso ilícito do montante na campanha eleitoral da cidade.

Todo o material recolhido, incluindo o montante em dinheiro e os papeis, foi levado para a sede da Polícia Federal. Os peritos vão analisar o conteúdo das planilhas para mapear os envolvidos, identificar se há candidatos beneficiados e descobrir a origem do dinheiro. A mulher prestou depoimento aos agentes e o caso segue sob sigilo de investigação.

O que muda para o eleitor da região

Para quem mora em Niterói e acompanha o período de eleições, a presença de dinheiro vivo de origem não declarada acende o alerta sobre fraudes no pleito local. A Polícia Federal reforçou que as fiscalizações e patrulhamentos ostensivos vão continuar em diversos pontos da Região Metropolitana do Rio para coibir a compra de votos e o uso de caixa dois.

A rotina dos moradores no bairro de Piratininga não sofreu interrupções no trânsito nem bloqueios nas vias durante a operação. No entanto, a movimentação de viaturas da Polícia Federal chamou a atenção de quem passava pelo local na tarde de segunda-feira.

Como denunciar crimes eleitorais

A população pode colaborar diretamente com a Justiça Eleitoral e com as forças de segurança para denunciar qualquer tentativa de compra de voto, distribuição de cestas básicas, promessas de dinheiro ou transporte irregular de eleitores. Qualquer pessoa pode fazer uma denúncia anônima sem precisar se identificar.

  • Aplicativo Pardal: Disponível gratuitamente para celulares Android e iOS, mantido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Permite enviar fotos, vídeos e localização do crime.
  • Disque Denúncia do Rio de Janeiro: Atendimento pelo telefone (21) 2253-1177 ou 0300-253-1177, com funcionamento 24 horas por dia e garantia de sigilo absoluto.
  • Polícia Federal: Denúncias podem ser feitas diretamente na Superintendência da PF no Rio ou pelo portal oficial do órgão.

O que fazer se testemunhar compra de voto

Caso o cidadão presencie uma oferta de dinheiro ou vantagem em troca de voto perto de sua casa ou no local de trabalho, a orientação é não confrontar os suspeitos. É recomendável registrar o máximo de detalhes possíveis, como horário, endereço exato, modelo e placa de veículos envolvidos, e repassar as informações aos canais oficiais de denúncia.

A legislação brasileira considera a compra e a venda de voto crime punível com pena de reclusão de até quatro anos, além do pagamento de multa. Tanto quem oferece o dinheiro quanto quem aceita o recurso ilícito podem responder criminalmente perante a Justiça Eleitoral.

Quem responde pela investigação

A investigação está a cargo da Polícia Federal, órgão responsável por apurar infrações contra a ordem política e social e crimes eleitorais em todo o território nacional. A instituição informou que os dados recolhidos durante a abordagem em Piratininga serão cruzados com outras apurações em andamento na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A Justiça Eleitoral também acompanha o desdobramento do caso por meio do Ministério Público Eleitoral. Se for comprovado o envolvimento de candidatos no transporte da quantia apreendida, os beneficiados podem ter o registro de candidatura cassado ou perder o mandato, caso sejam eleitos nas urnas.

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