Pesquisa desvenda porque Crocodilo gigantesco aterrorizava até dinossauros há 80 milhões de anos

Crocodilo giagntestco

Do tamanho de um ônibus, ele viveu há cerca de 82 a 75 milhões de anos e comprovadamente um “predador dos dinos”. Esse era o Deinosuchus sp (do grego ‘crocodilo terrível’).   Após identificar marcas dos dentes desta espécie em diversos exemplares de dinossauros do período Cretáceo, uma equipe internacional de paleontólogos afirma em artigo ter descoberto porque este crocodilo se tornou um temido predador da América do Norte pré-histórica.

Os pesquisadores descrevem na pesquisa que, diferente dos jacarés, os DEINOSUCHUS SP retiveram as glândulas de sal encontradas nos antepassados crocodilianos comuns. Tais órgãos permitiam que o animal tolerasse a vida em água salgada, à medida que o excesso de cloreto de sódio dissolvido era coletado e liberado de volta para o ecossistema.

Fóssil de Crocodilo– Essas glândulas de sal ajudaram o Deinosuchus sp. a vagar pelo Mar Interior Ocidental, que dividia a América do Norte naquela época, onde nem seus primos répteis conseguiam chegar. Sem competição, o grupo conseguiu se tornar um predador bem disseminado, que se alimentava de praticamente tudo o que aparecia – até mesmo dinossauros – explica Márton Rabi, um dos pesquisadores.

Por meio de registros fósseis do Deinosuchus sp, os cientistas apontam que estes crocodilos tinham quase o tamanho de um ônibus, com dentes tão grandes quanto bananas. Seu crânio era largo e alongado, com uma protuberância bulbosa diferente de qualquer estrutura vista em outros crocodilianos

– Nenhuma espécie estava segura naqueles pântanos quando o Deinosuchus sp. estava por perto. Estamos falando de um animal absolutamente monstruoso, com cerca de 8 metros ou mais de comprimento total – relata Rabi.

Desde o século 19, fósseis de Deinosuchus sp. tem sido encontrados em ambos os lados do extinto Mar Interior Ocidental. Embora inicialmente este gênero tenha sido classificado como parente dos jacarés, sua distribuição em ambos os lados desse vasto canal marítimo era um enigma. Se fosse um aligatoroide — um grupo que hoje vive apenas em água doce — como o Deinosuchus sp. poderia atravessar um mar com mais de 1.000 quilômetros de extensão?

Uma hipótese sugeria que os primeiros jacarés eram tolerantes à água salgada. Mas essa interpretação não tinha muitas evidências para sustentá-la. Outra explicação seria que os Deinosuchus sp. se dispersaram pela América do Norte antes da formação da Via Marítima Interior Ocidental, no entanto, o registro fóssil não comprovava isso.

Assim, para a nova análise, os pesquisadores incorporaram dados de crocodilianos extintos que não foram amostrados para as árvores genealógicas anteriores do grupo. Esses “elos perdidos” ajudaram a equipe a conectar espécies que não eram previamente reconhecidas como relacionadas e certas características surgiram no grupo. A análise descobriu que a tolerância à água salgada é uma característica bastante antiga de muitos crocodilianos que se perdeu depois nos aligátoroides. Esta capacidade teria beneficiado muito os ancestrais dos crocodilos, à medida que as mudanças climáticas remodelavam seus habitats.

 – Essa característica ecológica teria permitido que linhagens de crocodilos no passado fossem mais oportunistas em épocas em que mudanças ambientais drásticas. Vale lembrar, que naquela época, o mundo enfrentava uma elevação do nível do mar, que levou a extinções em massa de espécies menos tolerantes – observa o professor Márton Rabi

 

Fonte: revista communications Biology

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