‘Peço a Deus que ninguém passe pelo que passei’, diz universitário baleado por PM

Igor Melo de Carvalho foi o estudante baleado

Quase um mês após perder um rim e ter tido o estômago e o fígado perfurados por um tiro, disparado por um PM reformado que o confundiu com um assaltante, o universitário baleado pela PM, Igor Melo de Carvalho, de 31 anos, ainda sente no corpo e na memória as sequelas causadas pelo ato de violência que sofreu. Mesmo sem ter praticado qualquer crime, ele chegou a permanecer preso, sob custódia, por três dias em um hospital, até ter a prisão relaxada pela Justiça. 

“Eu pediria (a Deus) que ninguém mais passe pelo que passei. Para mim, eu não peço mais nada, porque o maior presente que Deus poderia me dar, Ele já me deu, que foi a segunda chance que tive de viver, de poder ver o Jonas (seu filho de 2 anos) crescer, de poder futuramente, daqui a pouco tempo, me casar com a Marina (companheira com quem vive desde 2021). Quero que as pessoas não passem pelo que passei, não só pela cor da pele, mas ter a sua história, a sua vida manchada por um erro de alguém, por um erro do Estado. Porque foi o Estado que estava ali. O Estado, de alguma forma, tentou me imputar um crime que eu não cometi. Eu fiquei custodiado injustamente três dias, sem receber notícias da minha família e sem a minha família saber o que estava acontecendo comigo”, disse Igor.

Lutando contra as sequelas do tiro, ele ainda sente dores ao se abaixar e ao movimentar o quadril. Mesmo assim, o universitário já tem data para voltar a fazer o que mais gosta: trabalhar como jornalista esportivo. Ele foi contratado pela Rádio Craque Neto, do ex-jogador Neto, e vai participar da cobertura do Campeonato Brasileiro.

Preso ao lado de mototaxista

Igor foi baleado na madrugada do dia 24 de fevereiro, quando voltava para casa, ao sair do local em que trabalhava como garçom, na Penha, Zona Norte do Rio. Ele pediu uma moto por aplicativo, corrida que foi aceita por Thiago Marques. No trajeto, os dois foram surpreendidos pelo PM aposentado Carlos Alberto de Jesus, que atirou contra a moto após a mulher que o acompanhava acusar sem provas a dupla na moto de ter roubado seu celular. O universitário estava na garupa do veículo.

Tanto ele quanto o mototaxista foram presos injustamente por roubo e tiveram as prisões relaxadas pela Justiça. Um dia após a prisão, o PM deu nova versão para o caso e disse ter feito os disparos após achar que estava em perigo ao notar um movimento brusco que teria sido feito por uma das duas vítimas.

Sobre a violência que sofreu, Igor diz que as investigações estão sob sigilo. Mas revela ter ido prestar um novo depoimento, na última quarta-feira (19), na 22ª DP (Penha), onde o caso é apurado.

“Fui prestar depoimento sobre o caso. Inclusive, o processo está correndo em segredo de Justiça, muita coisa eu não posso falar aqui. Mas eu tenho a total certeza de que tentaram me imputar um crime que eu não cometi. Até por isso, a Justiça arquivou o fato e atestou a minha inocência, a minha idoneidade e que eu não tive nada a ver com esse fato. Já fui à Polícia Civil, já prestei depoimento. O caso referente ao Igor, está praticamente elucidado. Provado que nem pelo local do acontecimento, do suposto assalto à pessoa, eu passei perto. Então, está mais do que provado que fui vítima de um crime, uma tentativa de homicídio, e que tentaram botar em cima de mim um crime que eu não cometi”, concluiu.

Fonte: EXTRA

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