A Patrulha dos Direitos Humanos de Nova Iguaçu fortalece rede de proteção no município ao ampliar o atendimento a denúncias de violações e oferecer apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Criada para integrar diferentes setores da administração municipal, a iniciativa já apresenta resultados relevantes no atendimento à população.
Levantamento do programa mostra que uma em cada duas ocorrências atendidas envolve mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social. O dado reforça a importância da atuação da patrulha, especialmente em um período marcado por debates e ações voltadas à valorização e à defesa dos direitos das mulheres.
A patrulha foi criada em setembro de 2024 a partir de uma ação integrada entre as secretarias municipais de Assistência Social e de Ordem Pública. Desde então, o trabalho tem buscado ampliar a rede de proteção e garantir respostas mais rápidas a denúncias envolvendo violações de direitos.
Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, foram registrados 79 atendimentos realizados pela equipe. Do total de ocorrências acompanhadas, cerca de 50% envolveram adultos, 34% pessoas idosas e 16% pessoas com deficiência, grupos considerados prioritários dentro da rede municipal de proteção.
O atendimento começa a partir de denúncias registradas pelo Disque 100. As ocorrências passam inicialmente por análise da Subsecretaria de Direitos Humanos e Conselhos Vinculados, vinculada à Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). A triagem é feita por uma equipe formada por assistentes sociais e psicólogos.
Após a avaliação técnica, os casos podem ser encaminhados para diferentes órgãos responsáveis ou receber intervenção direta da patrulha, especialmente quando há risco iminente ou necessidade de atuação no local.
Em depoimento ao jornal O Dia, o subsecretário de Direitos Humanos, Kleber Gonzaga, destacou que o acolhimento das vítimas é o primeiro passo do processo.
“A gente faz a escuta ativa daquele cidadão que pode estar sofrendo algum tipo de violação de direito. Atuamos com uma equipe de assistentes sociais e psicólogos e, a partir dessa avaliação, encaminhamos o caso para os órgãos competentes, como a rede de assistência social, Defensoria Pública, Ministério Público ou Polícia Civil”, explica.
Quando a situação exige verificação presencial, equipes da Secretaria de Ordem Pública acompanham as ações da patrulha. A presença dos agentes ajuda a garantir a segurança durante as abordagens e permite uma avaliação mais detalhada das denúncias.
Também em depoimento ao jornal O Dia, o coordenador de integração da pasta, Fausto Jean Viana, explicou que a visita ao local permite identificar outras demandas sociais.
“Esses policiais da patrulha vão até o endereço indicado, fazem a triagem da situação e verificam o que está acontecendo com a pessoa assistida. Muitas vezes encontramos situações de vulnerabilidade social ou condições de vida inadequadas que precisam de acompanhamento”, afirma.
Após o atendimento inicial, os casos são encaminhados para a rede municipal de proteção social, que inclui equipamentos como o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), além de serviços nas áreas de saúde e assistência jurídica.
A patrulha também realiza visitas posteriores para acompanhar a evolução dos casos e verificar se as medidas adotadas foram suficientes para resolver a situação. Esse monitoramento ajuda a garantir continuidade no atendimento às vítimas.
Durante algumas dessas visitas, as equipes identificam problemas que vão além da denúncia inicial. Em um dos atendimentos realizados, por exemplo, uma suspeita de violência contra um idoso acabou revelando também abandono familiar e problemas relacionados ao alcoolismo, o que exigiu a mobilização de diferentes serviços públicos para garantir proteção e acompanhamento.
Além de responder às denúncias, a patrulha tem funcionado como uma porta de entrada para diversas políticas públicas do município. Mesmo quando não há confirmação de violência direta, o trabalho permite identificar outras necessidades sociais e encaminhar as pessoas para os serviços adequados.
Com atuação em todo o município às terças e quintas-feiras, das 7h às 19h, a iniciativa amplia o acesso da população mais vulnerável a serviços essenciais e reforça o compromisso da cidade com a defesa dos direitos humanos e o fortalecimento da rede de proteção social. E à medida que mais casos chegam aos canais de denúncia, o trabalho da patrulha segue sendo fundamental para garantir acolhimento e proteção a quem mais precisa.














