Pastores são Indiciados por Estupro de Menores e Tesoureira Destrói Celular com Provas a Marteladas

Tesoureira Destrói Celular com Provas a Marteladas

Tesoureira de igreja evangélica em Roraima é flagrada destruindo celular a marteladas para ocultar provas de estupro de menores, segundo a polícia.

A Polícia Civil de Roraima concluiu o inquérito que apura uma série de crimes sexuais praticados pelo casal Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamyla Moraes de Souza, que se diziam pastores evangélicos. O casal foi indiciado por crimes como estupro de vulnerável e fraude processual. A investigação, iniciada após o registro de uma ocorrência por uma adolescente de 14 anos, revelou que outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, também teriam sofrido abusos semelhantes.

As vítimas eram atraídas pela posição de liderança religiosa do casal, que utilizava a fé para ganhar a confiança delas e de seus familiares. Segundo a polícia, argumentos religiosos eram usados para manter as adolescentes sob controle e, em alguns casos, dinheiro e outras vantagens eram oferecidas para silenciá-las. Essa manipulação psicológica e o abuso de autoridade religiosa dificultaram a denúncia dos crimes.

Um dos pontos cruciais da investigação é a tentativa de destruição de provas. Um vídeo obtido pela coluna mostra a tesoureira da igreja, identificada como terceira pessoa indiciada, incentivando duas adolescentes a destruir um celular. A mulher filma enquanto uma das jovens golpeia o aparelho com um martelo, dizendo: “Meu amor, quebra mais. Ainda não é suficiente”. Após a jovem se cansar, a irmã da tesoureira, também adolescente, continua a tarefa até que faíscas saem do aparelho.

Ocultação de provas e fraude processual

De acordo com a investigação, para justificar o desaparecimento do celular, uma das vítimas foi orientada a registrar um boletim de ocorrência falso, alegando o extravio do aparelho. Essa ação configura o crime de fraude processual, com o objetivo de ludibriar a justiça e ocultar as evidências dos abusos sexuais cometidos pelo casal de pastores. A participação da tesoureira e de outras pessoas na destruição do celular reforça a tese de que havia um plano para encobrir os crimes.

Estrutura de poder e intimidação na igreja

A delegada responsável pelo inquérito, Kamilla Basto, destacou que a estrutura de autoridade exercida pelos investigados contribuiu para dificultar a revelação dos fatos. As investigações apontam que os fiéis eram desencorajados a questionar os líderes da igreja. Documentos da própria instituição religiosa previam punições para integrantes que promovessem “rebeldia” ou “dissidência” contra a autoridade da igreja, o que criava um ambiente de intimidação e medo, afastando qualquer possibilidade de denúncia espontânea.

Indiciamentos e próximos passos da Justiça

Com a conclusão do inquérito, Wenderson Lima foi indiciado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly Kamyla responderá, em tese, pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que analisarão os pedidos de prisão preventiva dos líderes religiosos.

A polícia ressalta que não houve consentimento livre das vítimas, e os atos ocorreram em um contexto de manipulação psicológica, abuso de autoridade religiosa e coerção. Essas circunstâncias, segundo a corporação, afastam qualquer alegação de voluntariedade por parte das adolescentes envolvidas nos supostos estupros e abusos.

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