O Papai Noel do Leblon é uma daquelas figuras que transformam o cotidiano carioca. Vestido com a clássica roupa vermelha e o sorriso largo, Luiz Cláudio Vasconcelos, de 58 anos, é visto com frequência nas ruas do bairro nobre da Zona Sul do Rio, espalhando alegria entre moradores e turistas — e não apenas no Natal.
Tudo começou em 2022, quando Luiz enfrentava as dificuldades deixadas pela pandemia da Covid-19. Desempregado e com um filho de 10 anos para sustentar, ele decidiu usar a fantasia que tinha ganhado em um antigo contrato com um supermercado e foi às ruas. “Botei a roupa, um cartaz no peito dizendo ‘tire uma foto, me ajude’ e comecei a andar de Ipanema ao Leblon”, relembra.
Foi nesse cenário que um vídeo feito por uma jovem viralizou nas redes. Na legenda: “Anteciparam muitos feriados, tem até Papai Noel em Ipanema”. A imagem correu a internet e transformou Luiz no icônico Papai Noel do Leblon. Desde então, de quinta a domingo, ele circula entre as calçadas, das 14h às 2h da manhã, oferecendo fotos e recebendo colaborações espontâneas. “Quando é criança, nem penso no dinheiro. Quando é adulto, tiram a foto e automaticamente me ajudam. Não tem preço. Cada um dá o que quiser”, explica.
Além da presença marcante nas ruas, Luiz também realiza ações sociais em hospitais e comunidades, levando a fantasia para além do entretenimento. Seu objetivo é claro: fazer o bem por onde passa. “Você vai sentindo uma leveza na alma. É muito importante fazer as crianças sorrirem”, conta.
Apesar do carinho que recebe, ele também enfrenta olhares céticos. “Às vezes os pais falam para os filhos que é só um homem fantasiado, que Papai Noel não existe. Isso dói”, lamenta. Para Luiz, manter vivo o simbolismo do Natal é uma missão das famílias. Ele defende que o espírito natalino — com árvore, presépio, luzes e, claro, Papai Noel — deve ser cultivado como uma tradição que valoriza a origem cristã da celebração.
E como toda boa história carioca, a dele tem um plot twist surpreendente: Luiz também é compositor de samba. Com histórico de composições para escolas de samba do Rio, ele se afastou temporariamente do meio, mas garante que estará de volta em 2026 com uma nova letra para uma grande agremiação.
Enquanto isso, segue pelas ruas como Papai Noel do Leblon — mais do que um personagem, um símbolo de resistência, alegria e afeto em meio ao concreto da cidade.














