O palco gospel no Réveillon do Rio de Janeiro foi o centro da manifestação do prefeito Eduardo Paes, que negou qualquer prática de intolerância religiosa ou favorecimento indevido na programação da virada. O espaço, montado no Leme como um dos 13 palcos oficiais do evento, entrou na mira do Ministério Público Federal, que apura se houve privilégio a uma crença específica.
Segundo Paes, a decisão buscou ampliar a diversidade cultural da festa e atrair um público que não se sentia representado nas celebrações tradicionais de Copacabana. O prefeito argumentou que a população cristã é numerosa na cidade e que a proposta não exclui outras manifestações religiosas presentes durante a virada.
“A gente não pode transformar um preconceito que de fato existe, que é absurdo e inaceitável, contra o povo de axé, em preconceito contra o povo cristão. Há uma parcela muito significativa da nossa cidade que gosta de música gospel e que quer — e pode — ter seu espaço. Esse público não vinha para Copacabana e agora vai vir, vai conviver com pessoas fazendo oferendas a Iemanjá. Isso é o sincretismo religioso do Brasil e da nossa cidade”, disse Paes, em declaração à imprensa.
O debate também se intensificou nas redes sociais. Em publicações no X, o prefeito rebateu críticas de lideranças religiosas e acadêmicas, afirmando que o povo cristão tem direito a celebrar e que a contestação ao palco gospel poderia radicalizar o ambiente em uma cidade marcada pela pluralidade de crenças.
Ao comentar a grade musical da virada, Paes afirmou ter utilizado uma ferramenta de inteligência artificial para avaliar a distribuição dos gêneros nos 13 palcos do evento. Segundo ele, o gospel representa cerca de 6,25% das apresentações previstas, enquanto outros estilos tiveram menor presença na programação deste ano.
O prefeito ainda elogiou o trabalho do produtor Abel Gomes, responsável pela organização do Réveillon, e indicou que ajustes poderão ser feitos em 2026. “Achei as análises positivas, mas alguns ajustes terão que ser feitos no próximo ano. Pelo jeito, alguns ritmos vão precisar de mais espaço. Como todo mundo sabe, o meu ritmo é samba e MPB, e nisso estou bem atendido”, concluiu.














