Pais são presos no Rio de Janeiro suspeitos de envolvimento na morte da própria filha, de apenas 1 ano e 9 meses, no bairro do Caju, Zona Norte da cidade. A criança, Ariella Vitória Lopes de Oliveira, faleceu em outubro de 2025, após, segundo as investigações, ter sido submetida a uma rotina de violência e maus-tratos dentro de casa.
A Polícia Civil cumpriu nesta terça-feira, 11 de junho, os mandados de prisão contra Evelyn Lopes dos Santos e Carlos Alexsandro da Silva de Oliveira. A ação, realizada em conjunto pelas 24ª DP (Piedade) e 17ª DP (São Cristóvão), foi resultado de um trabalho de investigação e inteligência para localizar o casal.
Testemunhas e vizinhos relataram à polícia ter ouvido frequentemente gritos, ameaças, xingamentos e choros de crianças vindos da residência onde a família morava. Os barulhos de impactos contra a parede que separava os apartamentos também foram mencionados.
Conforme a Polícia Civil, Ariella e seu irmão, Enzo, já haviam sido vistos com sinais de lesões pelo corpo. A menina apresentava hematomas e ferimentos visíveis, inclusive no rosto, antes de sua morte. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil, que conduz as investigações sobre o caso.
Morte da Criança e Sinais de Violência
Ariella morreu na madrugada de 19 de outubro de 2025. Segundo a investigação, os pais teriam percebido que a criança não se movimentava por volta das 2h. Somente então buscaram ajuda de vizinhos, que auxiliaram no encaminhamento da menina ao Hospital Estadual Anchieta, no Caju.
A criança chegou à unidade em parada cardiorrespiratória. Durante o atendimento, os profissionais de saúde identificaram sinais de trauma e diversas lesões. Entre elas, escoriações em processo de cicatrização, um abaulamento na região parietal direita e sangue coagulado na região auricular.
Apesar dos esforços médicos, o óbito foi constatado por volta das 3h. O exame de necropsia e outros elementos médico-legales foram cruciais para a investigação, indicando que algumas das lesões eram compatíveis com ação violenta, e não com um acidente de baixa intensidade.
Outros Relatos de Maus-Tratos Contra Filhos
As investigações também apontaram para possíveis episódios de violência contra outros filhos do casal. Evelyn é investigada em um procedimento separado pela suspeita de ter queimado a mão de um menino de 8 anos com uma colher aquecida. O garoto teria sido impedido de frequentar a escola após o ocorrido para que a lesão não fosse notada.
Relatos indicam que crianças da família eram frequentemente vistas desacompanhadas nas ruas e utilizavam transporte coletivo sozinhas. Os investigadores apuram ainda o uso frequente de bebidas alcoólicas e entorpecentes pelos responsáveis.
Investigação Amplia o Contexto de Violência Familiar
A Polícia Civil informou que a morte de Ariella está sendo investigada em um contexto mais amplo de possíveis maus-tratos e violência reiterada contra as crianças da família. Publicações da mãe nas redes sociais, feitas após a morte da menina e relacionadas a atividades sociais e consumo de bebidas, foram incluídas na investigação.
Embora as postagens tenham sido coletadas, a polícia ressalta que, isoladamente, não permitem determinar o estado emocional da investigada ou a ausência de remorso. Evelyn e Carlos foram presos e acusados de tortura e homicídio qualificado, permanecendo à disposição da Justiça.
Um inquérito separado apura o crime de tortura contra outros dois filhos menores, um menino de 8 anos e uma menina de 2 anos. A mulher é mãe de outra criança de 6 anos. A defesa do casal não foi localizada pela reportagem.














